Gostava de ver-me sem névoa. Sem a nitidez fugitiva. Estou turba. Em réstia de nada. Está-se a voz deslocada: perdida. Sei-me não suficiente. Isso - insuficiente é carícia! Maltratado o rosto vive: húmido. Nem se escreve em cântico a alma. Encrava-se a fluência. Pisado se encontra o sonho. A miragem. Os olhos distanciam-se do alcance. Brilho escuro que se abraça. O corpo nega a existência de alguém. Está a coordenação desemparelhada. Congela-se as emoções. Esfria-se tudo o resto. As paisagens são a negação do suspiro já consumido. Avança o sopro: colisão. O tempo voa num organismo sem estímulo. Olha-o sem visão. Está-se exposto à espera. À entrega a uma felicidade enterrada. Estão as mãos em amparo: a prender o coração.
segunda-feira, 26 de dezembro de 2011
segunda-feira, 19 de dezembro de 2011
Descobrir o coração
Os sonhos deliram-se em vontades. Há o espírito que se alcança: a mudança se deseja. A neve desce nos olhos. Cristaliza-se a esperança de possibilidade. Há novidade existente: novas oportunidades se aconchegam nos lábios. Crê-se nas vontades e nas virtudes. Fazem-se suposições do grau de importância. Percebe-se o mundo que se desenha em eixos erróneos. Vemos as amizades que pintam a magia. A melodia invade o coração. Deixa-se a nostalgia tingir a alma – sempre existiu, mas agora liberta-se. Cercamos o medo: as lágrimas - corroeu-se a necessidade de carinho. Todos precisamos. O abraço que não aperta dá lugar à memória que já não se vive. Quer-se isso. A mão que agarra a anca. A sensação de segurança. Ter esses braços em mim. Saber-te minha protecção: meu amparo. O frio roça o olhar. Vê-se a falta patente. Vamos descobrir os corações. Saber as palavras que se fundem. Quero ler a melodia que se dita. Estica a prece. Mata o orgulho. Sê capaz de te admitir. Sê tu. Ama as fragilidades e as carências. Vê no gelo a vida em gosto. Em virtude. Queiramos ser-nos aos outros em todo o tempo. No que nos é permitido. No respirar. Tece essa lei em sorrir. Dá-me o sorriso – vamos voar juntos? Deixa-me ser essa inconsciência. Essa vergonha que tu desejas. Ter o corpo perto sem refúgio. E ser esse refúgio que se é. Que se precisa. Ser a pele em que se percorre o tempo. Gasta-se as fissuras que contam histórias. Sou esse ponto que não é o final. O início da história. Desta história nossa: minha / tua. Caminho para te ter. Para ser quem procuro encontrar. Dá-me a tua mão. Vamos juntos ser. Ser a felicidade que se permite. Que não se impede. Vamos ser eu e tu. Os flocos de neve que se beijam. Ser a magia de ser novo. Vamos ser os corpos que se querem para sempre.
sexta-feira, 16 de dezembro de 2011
Ouvir-te em verdade
O tempo avança em avalanche. Fico presa ao sorriso que te vê. A juventude grita brilho: despe a preocupação. Quero estagnar-me nesta idade. Ter as sensações em altitude. Quero sentir os teus lábios pela primeira vez. Saber de que sabor se fazem. Interrogar a delícia; apreciar o carinho que se acha eterno. Ser a explosão de sentimentos: viver no auge (sem rodeios). Passar-te a mão no rosto e ver-te o meu infinito. Termos os corpos em simetria. Ouvir o teu coração falar-me a verdade. Olhar-te apenas. Olhar e admirar. Paralisar na imagem que se vê. Focar-me no silêncio. Centrar-me na tua alma. E conhecer-te na profundidade que se imagina. Sem o toque saber-me tua: um suspiro me entrega. Ter-me no teu olhar. Ser o sorriso que espelhas. Estar convicta de que te tenho. Que a mão está para mim. E o abraço que ampara as lágrimas que em ti derramo. Fica-te o meu mundo: entrego-te - és o sinónimo da felicidade. Está-me a tua miragem em consciência. Ter a idade que me permite voar. Ter as asas em instâncias altas: pensar-te sempre. Viver isto. Tudo isto. Ser capaz de o fazer. Ter a possibilidade de o experienciar. Com alguém. Contigo!
És a paixão que queima o fogo. Sou sol – estás em mim: brilho da minha existência.
quinta-feira, 1 de dezembro de 2011
Término da negação
Temos o brilho nos lábios que se estendem. É impossível desfazer o feitiço que os olhos amam. E vai-se a respiração que se retira em suspiro. Há o silêncio que se canta. A voz desconhece o que profere: liberta-se a magia no tom. Voa-se a alma em manifesto. Baila-se a sombra de um corpo que não domina o estado espiritual. São as lágrimas a escapulir. Os pulos interiores a crescer. Nada se percebe como ordeiro – não há configuração: um prognostico do sentimento. Dá-se a fusão: felicidade. Tudo que se vocifera é sinónimo de surpresa. Assume-se a oposição da mentira criada. Vês-te num reflexo cintilante. Observas as estâncias que se criam em redor. Pára-te o mundo nos olhos: fixas. Admiras a miragem que já não se esvai. E em impulsos rotineiros dá-se o desejo. Ter-te em abraço. Sentir o aroma consumir-me o plano real. Respirar para o pescoço que pede lábios. É o sonho: dentes investirem na pele que vicia. Encher-te. Prolongar-me em ti. Corpo com corpo. Massa: material que fervilha. Viver o coração que se bate desse lado. Saboreá-lo. E sabê-lo meu.
domingo, 20 de novembro de 2011
Memórias do coração
Ver-te nesse sol que me concerta. Respirar a felicidade. Senti-la entrar na sombra e ofuscar o negro tingido. Leio as memórias do coração. Os meus olhos nos teus. Ver-te sem nevoeiro. Olhar para dentro de ti: conhecer-te. E tenho a carícia a agradecer as lágrimas que se foram. E vive-me o calor de sorrir. Sorriso verdadeiro. Meu. Teu. Nosso: nos lábios um do outro. Espelha-se as conversas: a vontade de presença. E estou a sorrir ao ler-te de novo. Ao saborear nos lábios o alívio. Ao abraçar no olhar o amor. Ao sentir o coração ressuscitar de felicidade. Sorrio pelo sorriso que nos pertence. Pela beleza de te ter comigo. Estás no coração que é aceite pelo pensamento.
sábado, 19 de novembro de 2011
Lágrimas Cravadas
Estou neste quarto à espera que apareças. Sonho pelo retorno da vida que já tive. Espero-me – na ponta do passado que não posso alcançar – o teu abraço. Quero sentir na mão o carinho do teu rosto. Espelha-se o que fomos numa projecção esbatida. Há o frio que se entranha nos lábios. O tremor de saudade perpetua-se na alma. Trespassa-se a confusão no corpo. Vive-se em linhas descontínuas: sem planeamento. Tenho apatia no amor. Estou na competição: a corrida que me vence o ser. Deitada nas lágrimas cravadas penso na cumplicidade. É no andar da combinação de inesperados que me desconheço. Fui a reflexão dos erros. Quero-me morta. Separada da solidão. Ser levada na canção da noite eterna. Voar no deslumbre da inexistência. Conseguir a totalidade da inconsciência: a festa das sensações. Desce – pelo véu que me veste a nudez – a vida. Trinco a ambição: sangra o tempo no olhar. Está estancada a visão. Presa à profundidade desconhecida que me fiz.
sexta-feira, 18 de novembro de 2011
Mentira em verdade
Deixo-me invadir pelo negro das tuas palavras. Há o sorriso nos lábios que não o sinto. Estou aqui: presa a mim. A uma voz que pretendo esconder. Quero correr deste coração que me fragmenta – deixar de sentir. De saber-me pensadora: inconsciente da tua falta. Tenho o chão a mover num balanço incessável: é a alma a morder o fosso que me faz viver. As mãos não mexem para um futuro sonhador. Vejo o presente em representação constante. Sinto-me figurante na personalidade que se deseja. Recebo ordens que condenam as acções. Que induzem um comportamento falacioso. E estou envolvida por campos lacrimosos. Um caminho que me faz sofrer ou o lado que assumirá todos os erros: aceitará a verdade que é obrigatoriamente a minha mentira.
domingo, 13 de novembro de 2011
Estaca perdida na alma
Como hei-de idolatrar-te se não estou mais aqui? Caminho parada. Sempre que regresso encontro-me no mesmo ponto: no estado de insuficiência. A dor leva-me à doença: estou mentalmente perdida. E tenho o buraco: o tamanho de mim feito em fosso. A incapacidade de transpor-me. De deitar-me no leito do que fomos. Estou de pé, a deixar estancar o sangue. Isso seria, por ordem de outrem, a minha salvação. Mas há sempre a gota que me arranca a voz. Tanto tempo nesta morte sentimental. E tenho o coração que já não se ouve: velocidade reduzida. As lágrimas vivem-se - é o facto que me faz real. A mão olha-se no tempo passado. Recordo os risos. Os beijos que voaram. E a noite descia pelas nossas peles enquanto a luz se infiltrava. E tudo muda em mim: a personalidade descarrega-se em ventrículos conturbados. Não controlo o que de mim vocifera. E querer-te saber só dentro do sorriso. Estou em estado de dormência. Tenho a estaca perdida na alma. Os olhos residem na linhagem de inundação. Acções que ficaram por se ser gente. Estão os pés no medo da concretização. Vamos apreender com os desacertos. E aqueles que já nos viveram nos braços são intrínsecos a nós. O tremor atinge-me. E vai voltar. E estou a ir. Estou, de novo, na profundidade, que já não me sou.
sábado, 5 de novembro de 2011
Coração Estilhaçado
Está-me a saudade embrenhada no olhar. O peito túrgido de lágrimas – já não se falam. Vive o silêncio como condição natural: melhorada. Estou eu na personalidade do mundo que já nem conheço. Descrevo as falácias em que me deito – são o esconderijo dos sentimentos. Recolho o coração quando olho a alma. Espelha-se uma névoa de interrogações. Um estado já esterilizado: morto. Faço esquecer a memória (pelos instantes que são de minha ordem). E sinto o mundo virar-me as costas. Já desaprendi a acreditar. Estou em coração estilhaçado para a existência.
domingo, 23 de outubro de 2011
Vejo-te o rosto do coração
Meu fogo das palavras,
Há o desejo que te quer. E este sol que me queima a alma. Sinto-me inalar a aura dessa beleza. Vejo-te o rosto do coração: és a verdade do presente. Quero-te dentro e fora de mim: no pensamento e ao lado do corpo. Apagaste-me as mágoas e as memórias que me destruíam. Há um novo giro que me espera: uma esfera de oportunidades. Longe está o impossível. Um novo dicionário surgiu. As palavras juntaram as pétalas do teu corpo. Arrepio-me pronunciando cada poro. Tenho o desejo em forma de necessidade. Preciso da tua vida. Sem ti sou a névoa que adormece a personalidade. E transforma-se em pó o meu/teu pertence. Só na união que se liga esta melodia poderei falar as chamas. Quero os braços, os lábios sendo os meus. Tapar a tua nudez com o lençol do meu calor. Dou-te os olhos para veres a lua do futuro. A mão passa na penumbra que te esconde – abrigo o medo que te fecha. No coração colho a rosa que nos nasce. Deixa prender-me-te. Ser-me tua. Entrego a disponibilidade de alteração. Sou a ti, em ti todo eu: a projecção do sonho. Os olhos são teu espelho. Estamos rosto a rosto. Perto de abençoar as imperfeições. Dá-me saliva nos lábios – seremos (para a eternidade) um.
Com o coração nos lábios,
Da tua simetria.
terça-feira, 18 de outubro de 2011
Vendo os olhos
É na consciência de me saber pertencente a algo mais forte (a ti) que te faço inconsciência da mente. Não te encaixo numa organização categórica. Esqueço as palavras que me beijam a dor. Sinto apenas. Vivo de lágrimas na voz e do sorriso na alma. Sei-me verdadeira pelo que me vibra. Não quero lógica nem percepção; não existe força para declamar o que significas – só desfalecerei em grau voluptuoso. Fico com o corpo e como que se reproduz. Arranco a mente do reflexo que me atinge. Deslizo pelo que sou: pelo que sinto (gota a gota). Sei-me a falcatrua. A mentira do chão que finjo calcar. Vendo os olhos do sentimento do coração. Do que sinto por ti.
segunda-feira, 17 de outubro de 2011
Sempre que volto a ti
Quero arrancá-lo de mim. Sangra num choro que não escorre. Fica a voz no interior da alma. E sinto-o em mim como um pedaço que me abafou. Não deixo: não posso pensar em ti. Num instante o pensamento entrega-se aos braços das memórias – estou a morrer. Mato-me sempre que volto a ti: desfaço-me todos os segundos. A todo o tempo me apago – sou a apatia do (não) mundo: ele não me vê. Corta a respiração e a tua falta esfaqueia-me o peito. Sinto esta dor física: é a resposta de que ainda estou viva.
sábado, 8 de outubro de 2011
Olhos Amantes
Sei o sol que calco e o céu que beijo. E sabe-me tudo aos teus lábios. A saliva que em mim adormece cicatriza o espaço existente. Olho: sei-te a perfeição do rosto que me vê. Quero-te em reflexo constante. Seres-me projecção do futuro. Ouço-te o canto das palavras – soa a voz como hipnotismo. Temos as mãos (quase) dadas: um milímetro. E sei-me tão cheia de ti sem te ter. Melhor é o tempo que te desejo sem a consciência no sangue. Pertencemo-nos sem o físico. A mente está entregue à plenitude: misturada no abraço que a constrói. A pureza vive em seres-te por me seres. É no quase toque que somos: sou tu e és eu. É ali: nesse instante que (sem tudo) somos tudo. Entregues estão as almas e os corpos. Agora – antes do mundo – sabemo-nos inteiramente um para o outro. Somos os olhos que nos sentem e os ouvidos que nos falam. Somos os cinco sentidos num corpo amante por estar a ser amado.
quarta-feira, 5 de outubro de 2011
Invejosa Realidade
Sou invejosa. Quero prender-te a estas palavras. Fazer-te entendedor da alma que não interpreto. Está o coração nas tuas mãos – não o vês. Quero pintar-te o conhecimento. Iluminar a obscuridade das interrogações. Não o devo. Está em mim a consciência de me saber em erro. O mundo que nos vê esconde-te de mim. Não posso chegar: não consigo a aproximação. A mão desliza sobre o teu rosto: há o vidro que nos separa. Conheces-me a alma. Sei-te a vida. E é o que nos liga que nos separa. Foi num tempo que não soube e no presente que não estás. Tenho que permanecer no canto visual: lugar onde não estragarei a tua realidade.
segunda-feira, 19 de setembro de 2011
Ligação imperceptível
Olhas o mundo: apetece-te abraçá-lo e mantê-lo preso a ti para sempre. Sabe-lo missão impossível. A estabilidade é sempre impulsionada pela revelia da sua origem: obrigação de uma mudança. Estás no presente e encaras o assustador desconhecido. Cerca-te o medo. A terrível sombra da tua alma tapa o brilho do que existiu. E o rio desaba no teu rosto. Olhas as mãos: tem voz própria - gritam ajuda. Aqui não sei percepcionar o que em mim nasce. Morre a parte que fica. E não nasce a que vem. Não relaciono o que sinto. Não o vejo. Estou desamparada. E peço-te que não me abandonas. Imploro ir nos teus braços. Saber-me presa a ti. A realidade está a desabar e escorrego para o vazio. Para o buraco que existe entre nós. Tu nem sabes a ligação que nos une.
sexta-feira, 9 de setembro de 2011
Sei-te não me seres
Estás sentado no meu pensamento. Os sonhos que me vivem quando apago no tempo são teus. Tão mais teus que meus: controlas o meu inconsciente. Fazes-me movimentar pelo interior que te ascende. Os teus lábios são a música que a felicidade me canta. Sei-te apenas a inconsciência. A (não) necessidade de te pensar. Balanças no presente. És o alívio do suspiro que me sai por vontade. Há o sorriso que abraça o fogo do céu. Vejo a auréola que de ti me preenche. Olho para o que te sei não me seres. E vivo com isso: com o te ter colado ao rosto sem o sabermos.
quinta-feira, 8 de setembro de 2011
Vómito de descontrolo
Diz-me que me agarras: que me prendes. Assume que me podes. Que tens essa necessidade de me querer perto. Do desejo que te arde os lábios. Liberta esse vómito de descontrolo. Faz-te seguidor do que acreditas - esquece as regras que a mente mumifica. Faz minha essa tua obsessão. Sê - pelo tempo que não sabes que resta – tu. Tens a luz e a escuridão que te beijam a personalidade. Dominam-se por ti: escolhe. Tens a decisão no sonho. E sabes que a rocha que te escorre dos olhos perder-se-á no momento. Cairá no sentimento que pedes inexistência. Fica essa dor em ti. Essa homenagem à mutilação invisível. Não sejas tu a destruir o mundo que os teus pés amam voar.
segunda-feira, 29 de agosto de 2011
Sepulto do declínio
Estou aqui como quem morre sabendo-se mentira. Condeno este sentimento para não se revelar. Afogo-o dentro do silêncio que me vive. E sei-me incapaz – oculto-o. Ignoro toda a voz e escrevo outra. Uma que dito repetidamente para tornar-se certeza. Repito toda a farsa para ser real. Não quero ver projectada toda esta fantasia. Ela só existe no coração. E a cabeça tem de ordenar o sepulto do declínio. Dessa entrada para um novo amor.
sexta-feira, 26 de agosto de 2011
Lágrimas da verdade
Vês a vista. Está ali o rio que te beija os pés. A água fria arrepia o espírito que em ti vagueia. Sobe-te aquela sensação: a falta de estabilidade. Molhas-te para congelar os sentimentos. Queres ser dura – mais do que é possível. Desejas a folha seca nas lágrimas da verdade - esse é o lençol mais pesado. Aquela dor que se expande no vidro que não se quebra e te fura o ser. O sol escalda-te a culpa. E o luar lembra-te da sina. Não irás lutar contra isso? Caminhas sobre as razões plausíveis da mente. Crê! Constrói-as – faz-te escravo delas. Sê livre prendendo-te. Vê-te capaz de voar para o deserto e a tristeza do conhecimento. Aprende a viver nesse mundo (na realidade).
terça-feira, 23 de agosto de 2011
Sem o último sorriso
És lutadora. Vês-te assim no momento: naquele momento. Quando o perigo te cerca a visão foges. Corres de ti. Escondes-te dentro do coração. Estás no interior: na nascença da melodia que te codifica. E és-te tão absorta. Fraca. Medrosa como um olhar que se vê sem vista. Esqueces (mais que por ti própria) de te seres. Perdes a sensibilidade de tocares na mente. E mais que um rodar, mais que pisar descalço, caminhas sem aparente revisão. Vives o teu personagem. Escreveste-o sem rascunho: a tinta permanente. Não corriges as lacunas – esconde-as com o luar que as embeleza. Fazes-te o esconderijo do sonho. Uma miragem que não se torna tua. Choras, em memórias passadas, o presente. E cai-te o tempo pelo corpo. Não limpas, escorre-te a saudade. Mais que isso: nasce pela pele perdida o rancor de seres o que não admites. De seres fraqueza. A incapacidade de te fazeres humano. E sabes que o serás em constante longitude. Feita da falta de coragem para a sobreposição do mundo. Essa é a regra da salvação. Tu matas-me sem sorrires uma última vez.
sábado, 20 de agosto de 2011
Sou detentora desta insuficiência
Visto-me dessas tuas ténues palavras. Entrego-me à personalidade que preconizas. Mas eu sou mais. Mais do que tu podes ver - não consigo alcançar. Falta-me estofo. Falta a coragem para ser-me gente. Ser-me sol da voz nas trevas. É no frio esculpir desta alma que quebro tudo o que já não me sei. São tantas definições - erros e correcções. Sou fraca. Estúpida ao ponto de deixar de acreditar. De deixar de ver-me pelos meus olhos. Ando e sou prisioneira da tua avaliação. Os passos sabem-se moles da instabilidade que criaste. Foste tu. Não te deito toda essa culpa. Eu sou detentora de todo este mal-estar. Eu deveria ser capaz de fazer-me ouvir. De abençoar as ideias e as palavras que se libertam do interior vivo em mim. Agora sou. Agora sei. Desiludi-me. Não por ti. Por mim. Eu existo tanto quanto tu.
quarta-feira, 10 de agosto de 2011
Tornas-te cega
É esse rasgo. O rasgo da tua vida que se deita na minha. E debruço-me nessa margem: na que não conheço nem sei o que virá - são duas películas que se solidificam. Há a protecção que é exercida entre nós. Cuida-se de (quase) tudo - as aparências em excesso. Fica desamparado o que de mais vivo há em ti. Nem a alma que o deseja consegue. Só tu o podes fazer. Mas esqueces-te. É mais simples. Há sempre uma facilidade maior em fechar os problemas. Em tornares-te cega. Mas o coração não aguenta. A chuva esmaga-o; devora-o a vida. Mas quem o degola és tu. Se voltares a respirar - nem como suspiro de renascença - ele responde. Tu és o estímulo. Se andares presa ao declínio nada te separa. Nada te ajudará. Só tu te podes salvar. Enquanto tu de vida fores feita terás sempre um guardião: o teu coração.
sexta-feira, 5 de agosto de 2011
Em braços: um abraço
É dessa réstia de tempo que nasce a vida. Num segurar. Num apertar de vontades. E sei o nada. Sei o tudo que me esconde a vida. Num abraço. Um ficar. Permanecer contigo. Sentir um chão; um tecto: sentir-me segura. Em braços: um abraço. É mais que isso: é na voz. É na gente que dele se faz e nele se preenche. E é nele: no abraço - onde estás e onde ficas; onde queres continuar a estar – que sentes. Sentes-te mais própria. Mais tu. Esmagas-te contra um corpo distinto, mas uma alma que te canta o (não) espaço. O lugar de saberes-te ali. De saberes-te abraçar e abraçada. De deixares sentir. E ser o abraço de quatro braços num carinho só.
quinta-feira, 4 de agosto de 2011
Sou-me livre a saber-me presa a ti
Estou a ver-te passar. Apetece-me correr; saltar em tua direcção: não é apropriado. Os olhos confundem-se com o céu – estou além do real. Fico a controlar a excitação do coração. Há todo um descontrolo que não se sabe promissor. É no enigma que cresce o sorriso. Está um sorriso nos lábios que te querem. Querem fazer-se teus. Num toque. Num simples toque. De mãos. De olhares. De corpos. Um toque que me faz mais gente. Que me faz mais tua gente. E sou-me livre a saber-me presa a ti. Livre: voo na magia. Naquele raio de luz que me incide. E há mais a lua. E aquele escuro que me adormece. Embalo no pensamento. Desenham-se as últimas lembranças e os últimos desejos. Antes de fechar a vida - de apagar as imagens do consciente – dou-te um beijo na face. Sinto-a perto. Sinto-te comigo: no caminho que estou a percorrer.
Alma (muda) aos berros
Há a ventoinha que me refresca. Que me limpa o suor dos olhos. Sinto o vento levar-me. Torno-me funda. Algo rodopia em mim: uma angústia que me enforca o sonho. O coração perturbado: não sabe não se pertencer/ ser. Há o pensamento que olha da janela. E está o momento a ser queimado. Sente-se o fogo matar-me aos poucos. Cai a electricidade. Eu despenho-me com ela. Fica a alma (muda) aos berros. Fica o fado a nascer-se pela voz.
quarta-feira, 3 de agosto de 2011
Só ao ser-te me sou
Beijo-te como quem beija o mundo. E saboreio cada pedaço de luz. Sei-te meu nos teus braços: ouço-te a voz do coração falar de mim. Cheiro essa sinceridade e ouço-a em ti. Tudo mudou de novo. Pensei que as cores não podiam ser alteradas: tornaste-as mais intensas. Mudaste-me a íris. Agora vejo-o por ti: o mundo. Vejo-o com os teus olhos e é tão mais meu. Sentada no chão sinto em plenitude o que fui – tornou-se longínquo. És-te em mim. Porque só ao ser-te me sou. Agora o “me” não é meu, é teu. Já não o sou sozinha. Não sou apenas aquele eu. Aquele meu eu. Sou este teu eu. O espelho reflecte na tua luz o meu rosto. Misturamo-nos na constância do amor. De amar. Sei (hoje) amar-me. Porque te amo. E tu amas-me. Hoje eu amo-(me)-te. Só assim será para sempre.
sábado, 30 de julho de 2011
Encontrar-me
É sem saber para onde ir que vou. Desconheço o caminho e o que é percorrer. Não sei a estrada nem os paralelos. Esqueço o alcatrão e a forma como o piso. E ando sem saber como nem para onde. Mas quero andar. Quero viver. Mais que isso quero achar. Tenho a sua ânsia (não será errada)? É neste desejo que encontro pela última vez a dor. Aquela dor que estava entranhada nas lágrimas que me eram amantes. A dor que era constante por saber que o que queria era impossível. Agora que parti essa prisão, desconheço o futuro. E temo-o. Temo-o por me saber tão dele que me consome. Porque quero saber o que vem: o que me espera. Quero encontrar-me de novo.
quarta-feira, 27 de julho de 2011
Tens-te

Beijo esse carinho que o vento me traz – saudoso me era. Esqueci-me do movimento do corpo como resposta – o mundo apaga o que te esqueces de dar a mão. Vagueias na rua dos pensamentos sem saber o que te dizem, e sentes. Despe-te a brisa (rasga a roupa da inconsciência). Estás nua para o mundo. A poça espelha-te: há um mundo de transformação que te rodeia. Ali está ele: o suspiro da incredibilidade em forma de iniciação. Chegou, já em lembrança quase esquecida, a doçura. Passa a carícia no coração. Sorris. Existe! E vês - pela primeira vez – o anjo. E tens(-te) a áurea que é mais brilhante que a estrela do sonho.
terça-feira, 26 de julho de 2011
Escorrerá o teu/meu sangue

Como a mão que te faz o mundo quero ser voz. Escrever um desenho dos caminhos que não existem. Criar. Transparecer. Ouço-me em tons de guerra. Há o sangue que me liberta. As pulsões que se perdem. Cores aparecem em fotografia. A óptica da mente escorre na tinta. As letras que prostituem o papel mais que amantes são doença: vício. E quero ser elas: todas elas. Quero ser-me delas. Tu vês! Vê-las. Vês-me. Conheces o lado inexistente da minha alma. Espelhas-me em ti. Crias-me no tempo em que me vives. Entras em mim: de mim para mim (no interior que não alcanço). Lanças sonhos à fogueira para incandescer a esperança. Sabes-me tão tua. Tu, que me lês, que me ouves, és todas estas palavras. Não as possuo: de minhas não se fazem. São apenas tuas (não minhas). Tu é que as vives: tu é que despertas o código. E amam-te como quem ama sua mãe e seu amor. Dás-lhes isso: amor de compreensão. Poderá haver algum maior que esse? E és tudo isso. Tudo delas. Tudo nelas. Tudo em mim. E quando te esqueceres - quando da flor não fores sol - haverá morte. E escorrerá o teu/meu sangue nelas: nas palavras que nos unem.
segunda-feira, 25 de julho de 2011
Deixei de ser-te para me ser
Vejo a lágrima percorrer-me a vida.
E desce no peito a conciliação com o mundo.
Olho-me no espelho da alma:Mil projectores me ofuscam a decisão.
A luminosidade torna-me cega das palavras –
Já não as conheço mais: partiram(-se) de mim.Sou-me o nada que me preenche.
É desse ar que respiro a última vez -
Na última hipótese.
Deixei de ser-me para te ser –
Não valeu a pena.Chega!
Agora sou-me não tua.
Sou-me em mim (sem ti).
Sei ser-me.Um canteiro de possibilidade
Aquece-me os lábios.
Molha-se o gosto desconhecido.E há a janela que se dilata.
Sou-o: eu –
Pela primeira vez.
segunda-feira, 18 de julho de 2011
Perdi-me em ti (mais uma vez)
Olhei-te como que instantaneamente – já não o fazia há muito tempo. Talvez por não te reconhecer mais. Fixei sem me dar por isso. E perdi-me em ti mais uma vez. Nesse tempo que me aprisionou percebi-te de novo. Vi como uma miragem o que já foste (o que não és mais). Distorcemos a visão quando é o coração que propaga os pensamentos. Mas não é só isso. És um humano que desconheço. Que se faz distante por o querer ser. Eu não o sou por gosto. Tu talvez o sejas por desdém. Mas vi (ali) o passado: o ser antigo. Roubaste-me a saudade de te ver/ de te querer. É impossível ceder ao desejo quando o espelho já não reflecte a verdade. E tu já não és a minha essência. És a mentira que se esconde num olhar perdido de quem nunca há-de saber o que quer. Agora, eu não sou capaz de te conhecer a voz.
sábado, 4 de junho de 2011
Conheço-te a voz do coração
Tenho-te em toda a mente – o olhar está preso ao teu.
Respiro o sorriso dos teus lábios.
Com a lua a escrever o brilho: vejo-te o rosto.
A pele pede carícias – não é o indicado.
Restam-me segundos, estou a ler-te a alma – antes que o mundo nos expulse desta intimidade.
Conheço-te a voz do coração.
Controlo a vontade: não deveria libertá-la?
Deixá-la voar sobre ti.
Não falo:
Os olhos sorriem o que a voz não pode ouvir!
Sei-me tua
E se fosse o primeiro?
O primeiro mesmo sendo o último?
Sê-lo-ia.
Teria em mim o teu gosto.
Pela língua circularia o amor de um acto.
Deixa-o ser-se inconsciente: é puro.
Nos lábios o abstracto: o toque suave da saliva que se
deseja.
deseja.
Unir-se-ia o invisível.
Sagrar-se-ia em mim a tentativa.
O vento levá-lo-ia comigo: em mim.
Se a hora falar: tira-mo.
Leva-o contigo.
Ele é meu: é teu.
Consumado nada mo retira.
A memória é a chave da consciência.
Sei-me tua: no nosso irreal beijo.
quarta-feira, 18 de maio de 2011
Asas do espírito
Nasce o poema da voz.
Letra pede letra
Como ordem de presença.
Esquece-se o tempo.
Desnatura-se a vida.
Vai-se o infinito
Para as palavras que sorriem.
Tocas na memória
E vez, na projecção
da imagem do que és,
as asas do espírito.
segunda-feira, 2 de maio de 2011
Inaudível
Olho o sol: sinto-me longe – a gelar. Reescrevo os pensamentos. Leio-os como algo a não decorar. Analiso-os. Vejo a fissura: declínio. A conjectura que os cerca. O erro.
Vou esconder-te, coração.
Vais prenunciar a alma - não vou ouvir. Cegar-me-ei de surdez. Vou correr. Fugir. Desaparecer na bolha da lágrima. Ficar longe de mim. O espelho reflectirá tudo: menos – eu – o nada. Inexistência. Sou corpo. Matéria conjugada: partículas. Somos unidade. Estás dentro. Como órgão da minha existência.
Enterro-me! Cavo o buraco na mente. Arranco o sorriso.
Vais na terra, entre a poeira e os bichos.
Permanece os dejectos de uma (não) voz. Configuro-me em ordem da nova compreensão. Um ser que olha. Existe. Não vive.
E no óbito a data feliz: a data em que te saboreei verdade.
segunda-feira, 25 de abril de 2011
Abismo
Sorrio por lembrar apenas teu rosto. Cada traço que veste a pele que vicio. É o aroma. O perfume que proclama. Os músculos contraem-se em sentido de permissão. A mente impede. O respirar. Aquela sensualidade que se liberta. Luto contra todos os estímulos que gritam em mim. Contenho-me para não me perder. Para não largar. Para não esquecer o que me é incorrecto. Permanecer encurralada por mim. Estou no desequilíbrio. Um sopro me pode fazer cair no abismo da felicidade. E será que esse abismo trará o sentido pelo qual canto? O erro. O saber-me consciente da inconsciência em que me deito. Não durmo nela: levito. O sonho derramaria fantasia e a vontade a concretizar. Olho: não encontro o fim. Inclino-me mais. A morte é lenta no breve tempo que vive. Agora: estou a voar.
domingo, 24 de abril de 2011
Esconder-te
É a desejar que este sentimento seja falso. É sentir. É pestanejar. É morrer por se tornar mentira. Desejar em demasia mentir-me. Mentir-te. Esconder-te do mundo. Fechar os olhos e empurrar-te. Desconhecer esse caminho – perder-te (sem te encontrar de volta). Esquecer-te mais uma vez – desta vez. Conheço a força que não possuo. A destreza de saber-me incapacitada de o fazer. Agarro as memórias. Seguro todo aquele cheiro; toda aquela sensação no presente. Fixo-te em mim. Abro a mão: não voas. Eu quero. Eu deixo-te. É sentir-me feliz por ver-te em mim. Por saborear-te em meu coração. É conhecer-te melhor que minhas palavras. O arrepio em que te és no meu corpo irado. É-lo. Permito libertar-me. Ordeno não te largar. Não fazes parte do mundo que calco. És o mundo em que voou.
domingo, 3 de abril de 2011
Folha
É na folha que te perdes.
Entre as palavras da minha alma,
Reflecte-se a tua ignorância
Como um espelho chuvoso.
Na caligrafia vê-se a incoerência:
O erro trémule de te não querer.
E bebo essa mentiraComo cálice da verdade.
Como bolha de sombra
Que esconde o que és
No que não existe.
O eu enterrado no solo da inconsciência.
Palavra
A palavra que cospes
Como quem nada diz,
Rasga a pele cerrando
A lágrima no abstrato envolvente.
E é dessa inconsciência
Em que nasces desnudo
Que se absorve a dor
Que me profundo.
Num beijo me despeço
De ti e mim em conjunto.
Dissolve amor em lentidão
Essa carne de paixão.
A gota que escorre
Na veia artística,
Corta o luar -
Vida sentimentalista.
No chão me deito
Sob a nuvem pensante.
Presa no saciável peito
Cala-se a ordem na voz.
Nessas letras salivadas
Desce a pena que te tenho.
Nunca por ti fui amada,
Na morte me detenho.
E vai a alma,
Como luz de toda a constiruição.
Como quem nada diz,
Rasga a pele cerrando
A lágrima no abstrato envolvente.
E é dessa inconsciência
Em que nasces desnudo
Que se absorve a dor
Que me profundo.
Num beijo me despeço
De ti e mim em conjunto.
Dissolve amor em lentidão
Essa carne de paixão.
A gota que escorre
Na veia artística,
Corta o luar -
Vida sentimentalista.
No chão me deito
Sob a nuvem pensante.
Presa no saciável peito
Cala-se a ordem na voz.
Nessas letras salivadas
Desce a pena que te tenho.
Nunca por ti fui amada,
Na morte me detenho.
E vai a alma,
Como luz de toda a constiruição.
segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011
Meu/teu eu
No desejo de controlar a sede perco-me em pensamentos.
Rosto teu nos olhos.
Tu encontras-te no arco-íris das minhas cores.
Com receio do que me espera algo desflora: sorriso.
Admiro cada traço que de ti se despe.
Rasga-se o véu.
Conheço a alma que escondes da multidão.
Contigo (sozinhos no meio das partículas) há algo que me empurra.
Uma direcção que me obriga a não abandonar.
No cerne das dúvidas há o alívio de saborear a distinção:
É verdadeiro!
Condenação: não o é em mim.
Lágrimas me salvam.
Tornam saliente o que de morte se deveria fortalecer.
Teus lábios - que libertam a voz - são meu crime.
Inevitável é o que de mim se arranca: o meu/teu eu.
Rosto teu nos olhos.
Tu encontras-te no arco-íris das minhas cores.
Com receio do que me espera algo desflora: sorriso.
Admiro cada traço que de ti se despe.
Rasga-se o véu.
Conheço a alma que escondes da multidão.
Contigo (sozinhos no meio das partículas) há algo que me empurra.
Uma direcção que me obriga a não abandonar.
No cerne das dúvidas há o alívio de saborear a distinção:
É verdadeiro!
Condenação: não o é em mim.
Lágrimas me salvam.
Tornam saliente o que de morte se deveria fortalecer.
Teus lábios - que libertam a voz - são meu crime.
Inevitável é o que de mim se arranca: o meu/teu eu.
Rejeitando o que em ti (de ti) se (des)faz
Céu limita a perspectiva: oxigénio consolida-se em ódio.
Mundo estremece.
Cubo em que te revelas: opaca. Cilada de ti para a alma.
Mão estende-se, - o caminho é individual - tu cegas-te.
Decalcas a visão. Mentiroso é o foco preto que não vês.
Em ti (sujeito) emprenhas a convicção (não existe).
És mediocre: um poço com luz que nunca a atinges.
Esperança em falcatrua: continuas a quebrar o coração.
Silencias a voz.
Rasgas os avisos que em ti se entranham.
Matas.
Morres!
Matas-te aos poucos.
Rejeitando o que em ti (de ti) se (des)faz.
Esqueces o passado; o presente.
Fantasmas o percurso.
Fechados olhos abertos.
És doença que teus lábios bebem cerrados.
Numa perspectiva oblíqua (frontal: deterioraste) esfaqueaste a alma com o mortal.
Morreste em teus braços despidos de credibilidade.
Finjo em mim de mim
A saliva, que me sacia, sepulta a dor.
Aterro: dispo a hipocrisia.
Toco-me: nudez - pele virgem de verdade.
Arranho a instável novidade.
De olhos no arrepio derramo-me em suspiros.
Na montanha mental: gravura auditiva.
O timbre imperfeito - cordas por estriar.
Conhecimento que perfura ideias.
Realidade falsa.
Teu olhar: meu cúmplice.
Rostos: sorriso espelhado.
Oculta sabedoria.
Ousadia que esmaga o sentimento.
Finjo em mim de mim: minto.
Represento.
Difusão da alma que se evapora.
Do incógnito cerra-se o destino: sonho.
O papel conhece os espasmos temperamentais.
Num eu que me esculpo fabrico o impossível.
Desejo: deitar o corpo em teu espírito.
Tua cabeça: pintada de meu reflexo.
Enredo que te escrevo de lápis escravo.
Dedos que delineiam um espremer interior.
Num saco de água esclareço a verdade.
Apagar-te do tempo corrido não é permitido.
Enganava-me.
Provar a mim que tua presença é natural; declarar-te(me) já não meu foi um tempo escárnio.
Superior à dor do inevitável.
Morro na tristeza da sombra - que teu rosto esconde.
Perco (-me) neste mundo, o mundo em que conheci a felicidade de te amar!
Aterro: dispo a hipocrisia.
Toco-me: nudez - pele virgem de verdade.
Arranho a instável novidade.
De olhos no arrepio derramo-me em suspiros.
Na montanha mental: gravura auditiva.
O timbre imperfeito - cordas por estriar.
Conhecimento que perfura ideias.
Realidade falsa.
Teu olhar: meu cúmplice.
Rostos: sorriso espelhado.
Oculta sabedoria.
Ousadia que esmaga o sentimento.
Finjo em mim de mim: minto.
Represento.
Difusão da alma que se evapora.
Do incógnito cerra-se o destino: sonho.
O papel conhece os espasmos temperamentais.
Num eu que me esculpo fabrico o impossível.
Desejo: deitar o corpo em teu espírito.
Tua cabeça: pintada de meu reflexo.
Enredo que te escrevo de lápis escravo.
Dedos que delineiam um espremer interior.
Num saco de água esclareço a verdade.
Apagar-te do tempo corrido não é permitido.
Enganava-me.
Provar a mim que tua presença é natural; declarar-te(me) já não meu foi um tempo escárnio.
Superior à dor do inevitável.
Morro na tristeza da sombra - que teu rosto esconde.
Perco (-me) neste mundo, o mundo em que conheci a felicidade de te amar!
domingo, 20 de fevereiro de 2011
Ser-te

E cresce a saliva de te amar.
No corpo arrepio.
Desce a sanidade.
Em mim se entrega o pensamento.
Se faz no eu a vontade de te querer.
Olhar.
Ver dentro de ti.
Ser tua minha alma.
Esquecer o mundo.
Pintar o vento de vermelho.
Algo em mim se estende:
Mergulha.
Amor.
Um coração sedento.
Grito na surdez de que me quero fazer:
-Liberta-me.
Deixar-se encantar.
Amor.
Teu sorriso minha felicidade.
Querer-te -
Meu espectro de vida.
Um toque lunar
(Mágico).
Esperança que me aquece.
Lágrima escondida no
Culminar da aventra,
Da derradeira essência.
É sonhar-te
Na visão da mente
Que sem te ter
Te quero apenas
Amar.
De mão com a felicidade.
Por mais que instantânea:
felicidade
(Suprema).
Ver tua flor que me sorri:
Ser-te.
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