domingo, 17 de junho de 2012

Conto de fadas


É impossível viveres-te pelos sonhos. Os olhos amam o céu. Mas os pés não escapam ao chão. Sorris e tens a felicidade: o conto de fadas. Por quanto tempo? Acreditas que um dia virá. Que alcançarás o desejado. Olhas em redor: a vida avança, continua. E tu com os sonhos a tornarem-se apenas lágrimas. As pessoas conseguem-no e tu não. Mas que há de errado? Para ti nunca é. Nunca o foi. E tens essa como única explicação. Príncipe encantado? És bem real. Há magia. Mas se fosse esse encanto fácil não haveria tanta dor nem tanta alegria. E nem o meu coração exige uma troca. Suplica por ti. Não há nada que o tire desse seu objectivo nem os cravos que o abrem. Cura nem que de forma lenta. Fica à espera de ti. De saberes-te entregue a ele. E poderem ser isso: um do outro. E o sonho ainda aqui. Abraçado a ti.

domingo, 3 de junho de 2012

Sonho do olhar



Vejo-te ao longe em desejo de te querer perto. Rejo-me por essa vontade a não ser cumprida – um controle do desejo. Gostava de sonhar que nada disto se sente. Gostava de sentir que nada disto sonho. És aquela vontade real não assumida. Mas não é o carnal que se pede: é o sentimento que ficou (não mudou). Têm-se a consciência de que não me sei entendedora. Não me perceciono pelo não querer instruir-me dessa forma. E que me resta do passado? Um caminho que sempre volta a ti? Sorrio por saber que nem chegou, talvez, a sair. Sorrio por saber-me, assim, a sorrir. Sem questionar ou inquietar as respostas: a dormir no sonho do olhar.