quarta-feira, 18 de maio de 2011

Asas do espírito




















 
Nasce o poema da voz.
Letra pede letra
Como ordem de presença.
Esquece-se o tempo.
Desnatura-se a vida.
Vai-se o infinito
Para as palavras que sorriem.
Tocas na memória
E vez, na projecção
da imagem do que és,
as asas do espírito.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Inaudível



Olho o sol: sinto-me longe – a gelar. Reescrevo os pensamentos. Leio-os como algo a não decorar. Analiso-os. Vejo a fissura: declínio. A conjectura que os cerca. O erro.
Vou esconder-te, coração.
Vais prenunciar a alma - não vou ouvir. Cegar-me-ei de surdez. Vou correr. Fugir. Desaparecer na bolha da lágrima. Ficar longe de mim. O espelho reflectirá tudo: menos – eu – o nada. Inexistência. Sou corpo. Matéria conjugada: partículas. Somos unidade. Estás dentro. Como órgão da minha existência.
Enterro-me! Cavo o buraco na mente. Arranco o sorriso.
Vais na terra, entre a poeira e os bichos.
Permanece os dejectos de uma (não) voz. Configuro-me em ordem da nova compreensão. Um ser que olha. Existe. Não vive.
E no óbito a data feliz: a data em que te saboreei verdade.