segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Meu/teu eu

No desejo de controlar a sede perco-me em pensamentos.
Rosto teu nos olhos.
Tu encontras-te no arco-íris das minhas cores.
Com receio do que me espera algo desflora: sorriso.
Admiro cada traço que de ti se despe.
Rasga-se o véu.
Conheço a alma que escondes da multidão.
Contigo (sozinhos no meio das partículas) há algo que me empurra.
Uma direcção que me obriga a não abandonar.
No cerne das dúvidas há o alívio de saborear a distinção:
É verdadeiro!
Condenação: não o é em mim.
Lágrimas me salvam.
Tornam saliente o que de morte se deveria fortalecer.
Teus lábios - que libertam a voz - são meu crime.
Inevitável é o que de mim se arranca: o meu/teu eu.


Rejeitando o que em ti (de ti) se (des)faz

Céu limita a perspectiva: oxigénio consolida-se em ódio.
Mundo estremece.
Cubo em que te revelas: opaca. Cilada de ti para a alma.
Mão estende-se, - o caminho é individual - tu cegas-te.
Decalcas a visão. Mentiroso é o foco preto que não vês.
Em ti (sujeito) emprenhas a convicção (não existe).
És mediocre: um poço com luz que nunca a atinges.
Esperança em falcatrua: continuas a quebrar o coração.
Silencias a voz.
Rasgas os avisos que em ti se entranham.
Matas.
Morres!
Matas-te aos poucos.
Rejeitando o que em ti (de ti) se (des)faz.
Esqueces o passado; o presente.
Fantasmas o percurso.
Fechados olhos abertos.
És doença que teus lábios bebem cerrados.
Numa perspectiva oblíqua (frontal: deterioraste) esfaqueaste a alma com o mortal.
Morreste em teus braços despidos de credibilidade. 

Finjo em mim de mim

A saliva, que me sacia, sepulta a dor.
Aterro: dispo a hipocrisia.
Toco-me: nudez - pele virgem de verdade.
Arranho a instável novidade.
De olhos no arrepio derramo-me em suspiros.
Na montanha mental: gravura auditiva.
O timbre imperfeito - cordas por estriar.
Conhecimento que perfura ideias.
Realidade falsa.
Teu olhar: meu cúmplice.
Rostos: sorriso espelhado.
Oculta sabedoria.
Ousadia que esmaga o sentimento.
Finjo em mim de mim: minto.
Represento.
Difusão da alma que se evapora.
Do incógnito cerra-se o destino: sonho.
O papel conhece os espasmos temperamentais.
Num eu que me esculpo fabrico o impossível.
Desejo: deitar o corpo em teu espírito.
Tua cabeça: pintada de meu reflexo.
Enredo que te escrevo de lápis escravo.
Dedos que delineiam um espremer interior.
Num saco de água esclareço a verdade.
Apagar-te do tempo corrido não é permitido.
Enganava-me.
Provar a mim que tua presença é natural; declarar-te(me) já não meu foi um tempo escárnio.
Superior à dor do inevitável.
Morro na tristeza da sombra - que teu rosto esconde.
Perco (-me) neste mundo, o mundo em que conheci a felicidade de te amar!

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Ser-te

Nos teus braços meu desejo.
E cresce a saliva de te amar.
No corpo arrepio.
Desce a sanidade.
Em mim se entrega o pensamento.
Se faz no eu a vontade de te querer.

Olhar.

Ver dentro de ti.
Ser tua minha alma.
Esquecer o mundo.
Pintar o vento de vermelho.
Algo em mim se estende:
Mergulha.

Amor.

Um coração sedento.
Grito na surdez de que me quero fazer:
-Liberta-me.
Deixar-se encantar.

Amor.

Teu sorriso minha felicidade.
Querer-te -
Meu espectro de vida.
Um toque lunar
(Mágico).

Esperança que me aquece.
Lágrima escondida no
Culminar da aventra,
Da derradeira essência.

É sonhar-te
Na visão da mente
Que sem te ter
Te quero apenas
Amar.

De mão com a felicidade.
Por mais que instantânea:
felicidade
(Suprema).

Ver tua flor que me sorri:

Ser-te.