terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Identificação


Tornaste-me calada. Insensível aos meus sentimentos. (Sabia que poderia acontecer). Fui obrigada a reter todas as emoções. De nada me ajudaria mantê-las vivas. Então fui-me corroendo. Fui deixando mais e mais de acreditar em mim: no que o coração falava. Fi-lo inaudível. Enganei-o. Menti sempre mais para poder chegar à verdade que já era encarada anteriormente. Caminhei para longe - de tudo o que não queria. Já não permito. Já não dou autorização para representar a minha voz. Fechei-me (nenhuma transparência do eu para a identificação). E estou assim. Neste eu que não sei. Neste eu que não quero saber. 


quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Saudades



Tenho saudades – não de mim, nem do passado – tuas. Dos teus abraços. Do teu olhar a compreender-me. Do silêncio que nos fala. É estranha esta angústia que sinto. Este pedaço que me falta: os teus braços a envolver-me. Ao não te ver é como se não te pudesse proteger – como se um corpo desse cariz precisasse das minhas mãos (mas era um aconchego da alma). E sinto um vazio: aquela felicidade pura que me deste (que não me tiraste). Era só ver-te e tudo voltava ao normal por alguns instantes: até o tempo roubar a tua amizade de mim. Tirar a presença e fazê-la de alguém que não eu. E imagino as tuas palavras sussurradas. As cócegas nos meus lábios. E um abraço: os braços que nos encontram mais uma vez.     

domingo, 11 de novembro de 2012

Ser alguém



Por momentos consegui. Saí: saí de ti. Fui-me encontrar longe. Distante de ti antes de voltar. E fui tão feliz nesse tempo. Fui o que me mantém viva. Deram-me o sorriso de verdade. Aquela alegria saltitante que me foi tirada. E após tanto tempo fui-me de verdade. Vi noutros olhares uma vida nova: uma tentativa de oportunidades. Senti-me segura só através de vozes. De um sussurrar cantado. Que mexe: que faz efervescer a própria alma. Uma dormência reativa: explosiva para a atividade. E não importa o que possa voltar. Nem as lágrimas e a tristeza que podem cair. Interessa que fui. Que posso ser alguém (eu) longe de ti.

domingo, 4 de novembro de 2012

Prosseguir



Há esta parte que tenta. Que procura não sentir. Mas como se pode retirar um pedaço intrínseco? Uma parte tua? Queres ser esse projeto novo. Seguir. Tens um passado que não deixa. Uma mente que obriga à lembrança. E vives as memórias uma e outra vez (quase) como se no presente vivessem. E lá vem os traços das tuas palavras: a voz que me embala no sonho. Nasce o sorriso dessa aura em que te vejo. E sei-te não perfeito. Tenho o coração que aceita todos esses defeitos que tanto podem magoar. Mas és tu: essa arquitetura esculturada de características que seu que conheço. Desejo que sintas a minha saudade. Que a alivies com a tua. não demonstras (talvez não a sintas). Ou é quem és (que sei que és) e apenas não. Encostaste a ti – sem abraçar o que sabes que te acolheria. E estão os braços esticados (eternamente) – (quase) sem sinal de cansaço. Em forma de luta está a espera agarrada ao avanço. Mas nada muda e, no fundo, esperas o que dizes não esperar. Proclamas em alma convincente avanço, mas os pés continuam a beijar o mesmo lugar que antes. Vês o sorriso (aquele rosto que queres). Sentes as mãos na tua (que não está). Arrepias o beijo que foi dado. Queres – antes que voltes a cair em ti – tudo outra vez. Tão intensamente que dói o pulsar da vida. E percebes a olhar o futuro que nada mudará. A luta é contigo própria. No sentir nada é configurado. Segura a alma à crença e junta o coração à perceção. Projeta-te. Vê a verdade. Faz a tua justiça da dor. Sonha: acorda. Vamos tentar caminhar?  

domingo, 14 de outubro de 2012

Farsa feliz



Pensas que tudo está estabelecido. A confiança enraizada – que nada abalará as palavras passadas. E aparece-te a sombra: a dúvida. Já nem sabes o que és: não para ti, para os outros. E começas a duvidar da confiança escrita em ti. Dói a alma de encarares o que aconteceu. Queres fazer do facto mentira. Desenhares uma e outra vez o momento como diferente – não dá: já se sucedeu.  É triste: olhares-te ao espelho e desconfiares. Duvidares das ligações que criaste. Não serão elas de dimensões tão fortes? Onde tudo pode ser dito sem ser pensado. Dizer o que se sente, o que se vive, sem mentiras. Com traços de angústia, mas de uma aura de confiança. Vais seguir. Andar. Caminhar no lugar antigo para um tempo novo. Fazeres-te esquecida. Tentar (mesmo) matar os pensamentos. Há sempre algo que fica no olhar. Vais sorrir. Vais voltar. E nesse tempo há-de ser. Há-de ser outra vez. Mais uma vez. Tudo o que foi. O que querias que se tivesse mantido. Uma farsa feliz. 

domingo, 30 de setembro de 2012

Refúgio



Tens a linha a esfaquear-te a voz.
Não deixas sair, não queres. Estás: dentro de ti – nada. Sentes-te permanecer, ficar ali. Presa ao tempo – não volta. As lágrimas gritam revolução. Mas tu precisas permanecer no estado neutro. Estás no declínio: bem perto de te ir. E desconheces o que te pode levantar. Tens quase tudo – mas é um nada que não prende. Conheces-te e vês o que ninguém é capaz. Escondes (até de ti) o mundo que te desaba. Que danos trará? É a tentativa de permanecer em dois pés. Em ter a mente a fluir. Não em sonho, na realidade que vives. Uma miragem que de sonhos se descoloriu. Caminhas à procura de suporte. De te aguentar de ti para ti. Uma encenação ao espelho. Não é permitido detonares essa máscara de palavras. Tens a extensão dos lábios – ninguém denota a sua falsidade. Nasce o tempo a cada fim de esperança. E está tudo certo: tem de estar. A mudança não é possível – tens de aceitar. E já está aceite (quase). Portanto está tudo bem. És-te consciente de todo o presente. Mas fica escondida a compreensão de actos. Seriam sentimentos de mentira? Tocaste na margem da plenitude, mas a passagem não abriu. Ficaste a olhá-la como alcançável – para ti essas possibilidades não se escrevem (sabe-lo de experiência própria). Perguntas o que de errado construíste. Quais são os traços que fazem sempre o fim. Incompreendido se torna o olhar. Vem o silêncio em forma de redenção. Deixa-lo ficar em ti – ele ao menos não terá nada a dizer. Irá ler os pensamentos: aceitá-los como deles. Dar-te o refúgio da dor que respiras.

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Sentença


Sabes que te olho: que te dispo de mentiras. Eu e tu na verdade. Chego-me ao desequilíbrio. Tenho as linhas a escreverem-se sem lápis. Quero fazer-te em minhas palavras - mas não as és. Sai a tinta impedida de se sentir realizada. A desconhecer o futuro do mundo só riscos me interpelam: nada está correcto; nada se embeleza. Sinto horror nas frases: fracas. Sem poder de sedução. E não têm: nascem de mim. Quero-as em oposto da alma que as escreve. Quero-as vivas: soltas. Quero-as amantes e amadas. Numa paixão louca: carnal. Ou no romantismo platônico. Embebedá-las de luxúria e prazer. Cercá-las de pecados. Serem a vida e a morte em junção. Mas não o são: são-me. E isso é sentença.     

domingo, 22 de julho de 2012

Autónoma


É de hoje para hoje que me digo. Que me sei. Irrito-me com isso: comigo. Grito para parar. Para saber fazer-me em vontades. Não me ouço. Não me obedeço. Desejava deixar. Largar: ficar. Fazer com que nunca tivesse existido. E não. Não existiu. Mas não quero. Quero que exista. E quero ser-me assim. Quem sabe um pouco mais autónoma de mim.

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Capaz de sentir


Queres saber a pior parte? É estar sem te ter. Mais que isso. É estar e não te ver. Não sentir esse aroma a rasgar as veias. Deixar o impulso ir e não ter onde o derramar. Vê-se a distância em quilómetros - descreve-se no olhar o vazio. Nada está dito ou escrito. Mas é-o – o que sinto. E vive-se: enche-se em expansão. E gosto de sentir isto: de saber-me capaz de sentir. Existe a relutância que não desfez o sentimento. Um mundo de malvadez que se conhece – e nada se evaporou. E o que se ditará daqui?

sábado, 14 de julho de 2012

Sombra das memórias


Nos lábios te fazem o desenho: suor do desejo. Crês na fantasia que te abraça. Há o nó que se circula no coração – será verdade? Vives: escondes as angústias – aquele momento é teu. Conheces o paladar das palavras. Visionas aquele passado. Quere-lo em constante presente. Esperas. Aguardas o que não sabes que vem. Uns dias sorri-te a esperança. Noutros encaras a realidade. Em que acreditas? Em ti: nos teus olhos do coração? Ou nas circunstâncias que se ditam? Nem o caminho que percorres se manifesta (incógnito). Ficas retida: em ti. Estás na sombra das memórias. Pinta-las de intensidade: toda a força que tiveram. E o que te cura? O que te ouve? Estás entregue à insanidade da alma. Nada se poderá escrever. Vem o tempo na lágrima que ressuscita. Estás de caneta para o céu. De olhos sonhadores no sentimento. Fácil seria não sentir. Seria não ser o que se é. Fingir! Vamos ser outro alguém capaz de encarar. Capaz de fazer inexistente tudo o resto. Ser a morte que não alimenta a chama. Resguarda-se o eu. Par que um dia – quem sabe – se proteger dele próprio.

domingo, 8 de julho de 2012

Quebrar-me


Não sei que queres de mim: deste corpo que mal se ergue sem ti. Entranha-se a frieza: única forma de conhecimento. Sobrevivem os racionais. Quem te coordena é o coração: que te dirige ao mundo. És esse eu apaixonado pelo amor. Esse pintor que se pendura em asas. Não voas; não alcanças: esticas a alma em tentativa. Sabes quem és. E dói. Vive-se o sangue por te conheceres (quase) bem. Ignoras os pensamentos que sabes existentes. Omites as palavras audíveis ao batimento. Nada que se manifesta no interior importa. Aguentas o sorriso – o público aplaude. Mais um segundo se cerna a falsidade. Tens uma capa que te distancia: te afasta de ti. Um dia vais deixar de te ser – melhor para ti. Está o sorriso a dobrar-se. Nem se suportam os olhos: sentir tanta mentira. Vamos acabar; terminar: quebrar-me. Estou no espelho: apática – sem os lábios se moverem. Morreu o sorriso de ti para a felicidade. Acabou a curva do desejo. Estás a ver-te – agora – como és.

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Presa a ti

Estão as palavras ditas. Não há som: vozes (nada). Espaço desocupado: vazio. Não o permito. Derrubar as dores – fazê-las inexistentes. Sou portadora da melodia que não se fala. Está o mundo a ver o sorriso fugir. Não há espera de futuro. Voa a esperança no tempo que partiu. Não é novidade: é verdade. E a face lê-se como realidade. Estás de olhos na vida. Queres fechar. Queres perder todos os significados – não podes. Questionaste o ponto de viragem – perdeste-o. Não sabes de ti: da alma. Desconheces o caminho. As linhas não são reflexivas de uma memória. Foste a vontade – sem medos; sem receios. Foste-te pura. Deixaste-te ser. E seguir (pela primeira vez). Viste a luz e encaras o seu fecho. Nem palavras se combinam. Percebeste: entendeste que não era possível. (Im)possível se fazem as vontades sonhadoras. E ficaste presa a ti. Ao que não queres ser. Tornaste-te isso: tudo isso. No amor perdido. Foi e não volta. Do que sempre sonhaste e não passou disso: um eterno sonho.

domingo, 1 de julho de 2012

Entregue a ti

Soube no momento em que te toquei que me sentia. Que pela primeira vez tocava com o coração no céu. Fiz o sorriso estender-se ao infinito. E vigorei o maior êxtase de felicidade. Cumpri os sonhos no enlaçar das mãos. Puxaste a minha maior fraqueza para ti: o que sinto. Vivo-o consciente. Agarro na memória com a força que resta da pulsação. Sei que ela não omite a verdade – não se pode desfazer o que já se procedeu. Tenho os lábios no rosto a perpetuar o gosto: a libertar a entrega para ti.      

domingo, 17 de junho de 2012

Conto de fadas


É impossível viveres-te pelos sonhos. Os olhos amam o céu. Mas os pés não escapam ao chão. Sorris e tens a felicidade: o conto de fadas. Por quanto tempo? Acreditas que um dia virá. Que alcançarás o desejado. Olhas em redor: a vida avança, continua. E tu com os sonhos a tornarem-se apenas lágrimas. As pessoas conseguem-no e tu não. Mas que há de errado? Para ti nunca é. Nunca o foi. E tens essa como única explicação. Príncipe encantado? És bem real. Há magia. Mas se fosse esse encanto fácil não haveria tanta dor nem tanta alegria. E nem o meu coração exige uma troca. Suplica por ti. Não há nada que o tire desse seu objectivo nem os cravos que o abrem. Cura nem que de forma lenta. Fica à espera de ti. De saberes-te entregue a ele. E poderem ser isso: um do outro. E o sonho ainda aqui. Abraçado a ti.

domingo, 3 de junho de 2012

Sonho do olhar



Vejo-te ao longe em desejo de te querer perto. Rejo-me por essa vontade a não ser cumprida – um controle do desejo. Gostava de sonhar que nada disto se sente. Gostava de sentir que nada disto sonho. És aquela vontade real não assumida. Mas não é o carnal que se pede: é o sentimento que ficou (não mudou). Têm-se a consciência de que não me sei entendedora. Não me perceciono pelo não querer instruir-me dessa forma. E que me resta do passado? Um caminho que sempre volta a ti? Sorrio por saber que nem chegou, talvez, a sair. Sorrio por saber-me, assim, a sorrir. Sem questionar ou inquietar as respostas: a dormir no sonho do olhar.    

sábado, 26 de maio de 2012

Entre as lágrimas do mundo



Quando ouço a tua voz fluir na minha direcção não há nada que arrecade com o sorriso. É como se sonhasse em função da tua presença. É inevitável esta ligação em que me desfaço: torno-me mais eu a cada ponto em que te sou. É estranho saber-me tão impotente de mim. Saber-me tão comandada por esses movimentos. Fazes-me desejar ser a sombra que te acompanha. Que te olha em admiração deslumbrante – observa-se pelo meu olhar. Há a tua luz no mundo que vivo. É sentir o calor do abraço - que não chega a ser dado – quando os corpos se acompanham no percurso da estrada. É estar de mão dada (não apenas a ti) à tua vida. Não se quebra a ligação nem pela invisibilidade dos corpos. Sente-se pela magia que as palavras contornam. É entre as lágrimas do mundo que encontro a única felicidade sincera: tu. 

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Ser-se mútua a vivência



É como que esperar o que não vem. Não se chega a esse presente. É um eu desfigurado: corrompido pelas palavras do tempo. Vagueiam-se os sonhos. Falta a pertença: o conforto do amaço. O agarrar de um abraço que se quer com a intensidade da eternidade. É querer naquele momento com toda a força. Não é o desejo ou a sacia. É o precisar da humanidade. Viver os sentimentos: rasga-los da imaginação e atirá-los para a realidade. Atirar-nos no corpo do imprevisto. Mas tê-lo e amá-lo por se ser disponível. Saber controlá-los: atribuí-los. Saber que se recebe e não só que se tem. Poder sentir a oferenda do beijo. A sensação de partilha: de entrega. Ser-se mútua a vivência. E ser-se o eu não só dele. Mas ser-se o ele todo meu. 

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Encarar a realidade


Nem palavras se entendem. São as lágrimas a arremessar a vida: afaga-se a dor. Quer-se um refúgio nos teus braços: nos braços de quem magoa. Recolher-me em ti como se o quisesses. Como se me quisesses. Fingir que somos um do outro – que não há corações rompidos e que o caminho era tão perfeito como eu te via. Vejo-te quase dessa mesma forma - não o quero de forma diferente. Encarar a realidade é saber que me perdi. Que me deixei ir/ enganar mais uma vez. Estou nos braços do mundo que me esmagam. Quando pensei que nos braços tinha o mundo. Rodaste os pensamentos. As perspectivas retrocederam a um patamar que sonhei inexistente. E fiquei eu sem ti. Desta vez, eu sem mim.      

sábado, 28 de abril de 2012

Fecho de luz



Cai a lágrima da voz. Sou eu a despedir-me do que imaginei. Sonha-se com um coração de asas. Percebe-se que a imaginação mentiu factos.  Tenta-se a falsidade do sorriso. É - ainda assim – um sorriso. Não é meu. Nem teu. Um sorriso nos lábios que não se lhe pertencem. Mas que está: que permanece. Uma farsa credível. Um estado para enganar a alma que se esconde do mundo. Que se recolhe sem coração. Que se tenta impermeável à inundação que se aproxima. Uma aproximação real do fecho de luz. 

domingo, 22 de abril de 2012

Sangue de entrega



Há isto como quem quer: quem te quer. Uma morte tua declarada minha. Vê-se o corpo inerte de consciência. Vive-se a nuvem na voz. Pertencem-se sonhos – são todos eles espelhados de vida. Cores em vista detalhada. Pormenores configurados de novidade. E um quotidiano que deixa de o ser. U cristal que se crava no coração. Reluz-se o sangue de entrega. Clarificam-se as acções futuras. Rasga-se o esboço de um passado. É distante a ligação já vivida. Como que nos olhos mentisse a mente – delírios de alguém inexistente. E era: eramos. Num pedaço: num organismo: o que fomos. Uma imagem desfigurada de credibilidade é encarada. Vemos o eu com essa impossibilidade passada. É o rio que lava os rasgos de engano. Apagam-se traços erróneos da personalidade. E aproximamo-nos hora após hora da verdade. Da igualdade: do coração para a alma.     

domingo, 15 de abril de 2012

Segredos que se confessam


É ao tocar-te nessas palavras que me/ te descubro. É a carícia que me fazes pelo tempo. É o caminho que nos recolhe que me deita nos braços de pertença. Sei-te aqui – ainda longe, mas abraçado (como que um cheiro intensificado). Está-me nas mãos a decisão. E quer-se todo o corpo e a consciência contigo. Tem-se o olhar a imaginar-te. O sonho a querer-me em ti. Há todos os sarrabiscos que se escrevem. Está-se nas palavras não caligrafadas a verdade. Tudo dito em mim – num futuro que espero. Vem a voz autoritária: esmaga o sorriso – triturado pela realidade. E dançam as lágrimas como única solução - vivem-se por cada poro. Casa de segredos que se confessam. Para mim. Para o eu: a alma. Olha-se a mão (de novo): diferente. Vestígios do que se deseja agarrar. Segura-se o possível: com força o inevitável. Para que não vás. Para que não te deixe ir.    

domingo, 25 de março de 2012

Deixar-te para me ser


É difícil seguir o caminho e saber que ficaste. Saber que tive de te deixar para me poder ser. São memórias que não se vão. Estás no meu coração: és o ar que o respira. São sentimentos que se agarram. Abraços que se deram e os que estão por vir. E é sentir tudo isso num toque. A tua presença: a minha protecção. Estou-me entregue a ti – abraçada ao teu eterno apoio. É saber que ali sou eu e tu (sem existir o mundo). Mas não se pode: não nos permitimos. Está o beijo quente na bochecha que flori o sorrir. Vejo tudo puro nos teus olhos: transparente. Quero-te em mim para sempre. Os momentos vividos em estado presente. Quero gritar e fazer-te essa voz. Quero chorar e seres a mão que as colhe. Preciso de ti como precisas de mim. E sê-lo-emos juntos.  

sábado, 17 de março de 2012

Só eu te vi pelo coração

Há um rasgo de interjeições que se falam. Ordenam cicatrização. Vê-se luz na ferida. A gargalhada intensa no sangue que se chama. E é a dor. Essa dor que dá satisfação – sinal de vivacidade. O ardor que cega toda a percepção. Deixo-me em nada. Sem ti: sem mim. Flutua a mente num sopro de mentiras. Verdades desfalcadas. Uma caneta que vive vigorada pela ocultação dos factos. Inapagáveis são os actos que te desenham: esses momentos que te forneces. Diz-me em que voz amplias? Qual é essa grossa vaidade de saberes-te proprietário de uma alma que te deseja? És um espelho que não reflecte o interior. Apagaste as memórias do que foste. E não és no futuro. Não há nada que acredite: que o sinta pelo olhar. Só eu te vi pelo coração.       

segunda-feira, 5 de março de 2012

Caminhar para o coração


Tenho o perigo comigo. Está escondida a tentativa de fuga. Todas as opções se confundem. Um cerco que me envolve. Respiro para tentar encontrar o ar. Há a novidade que se sufoca. Um adiantamento de tudo se rasga no presente. Não se calculam as consequências. Age-se pela possibilidade. Encara-se o eu que se sabe existente. E está tão restrito a si próprio. Com medo de ser-se ele próprio. E se não for suficiente essa força? E se tudo o que se é não basta para se ser? Para seres. São sensações escapatórias da mente. Lucidezes desfeitas pela inquietude. Há uma vaga de frio que assassina a voz. Tudo desaparece com o sopro do silêncio. Ficas tu e ele: pensamentos acumulados. Encara-os como únicos sobreviventes de um mundo irrigado de informação. A verdade é desconhecida pelo olhar que não se encontra. Procuram-se as mãos para o amparo. Está-se um imaginário de sonhos que te elevam. Tentas acreditar. Tentas confiar. E vês-te (uma última vez) a caminhar. A andar para o teu coração.

sexta-feira, 2 de março de 2012

Espelhar-me


Apareces em corres garridas. Um sorriso se explode do mundo – é uma imagem nítida: transparente da alma. E não sei definir as equações do sentimento. Puxa-se o interior para a entrega. E é querer dar-me. Dar-me-te. A ti. Deixar-me ir devagar. Sentir que estamos nesse olhar: encontro. Ter-me em tua memória. Saber-te meu pensante. Há vontade de ser-te numa linhagem que nos pertence. Ser-me consciente do que te vive. Ler o coração que me escreves. Pintar-te de alegria: ser autora dessa construção. Pertencer ao meu lado que questionava existência. Sucumbir-me do mundo. De todo ele. E ser capaz: espelhar-me (toda) em ti.     

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Sombra


Explica-me o que te fala. Esse ardor que te felicita. E sorris no desconforto de o ser feliz. Há toda uma perfuração que te silencia os actos. Não são as mãos atadas. Está o pensamento agarrado à consciência. Vive-se isso: nisso. Na prisão do inquestionável. No limiar do inatingível. Não ficas nem desapareces. Estás-te na sombra com (quase) o corpo à vista. Tens-te em temor. Num cardápio questionável de ponderações. Há a réplica do acontecimento que não desejas. Não arriscas. Manténs-te em protecção. Num esconderijo até fechado ao eu. E não estás tu em ti. Já não te sabes. Já não te tens. Recuas. Autorizas a ordenação própria. Não és um mandato da fala. És em onda o que te fomenta. E é em ser-se esse não se ser que percebes que és. E, aí, não vive a fuga. Tu encontraste-te na luz mais tua. 

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Rendida


Os braços estendem-se. Espera-se amparo. Um corpo no outro. Que protege. Que acaricia a dúvida. E não se está entregue o amor imediato. Falta a crença: a conquista. Esquece-se os sonhos: os desejos. O coração que se felicita. A mão insegura que não treme. E tens o sorriso verdadeiro perdido em ti. E será essa novidade a encontrá-lo. O inesperado. Virá o novo em futuro. Ele agarrar-te-á. Pintá-lo-á nos lábios. Em ti. Serás encontrada. Rendida à amplitude de oportunidades. Nem tudo está ali: aqui. Nada se conhece como palavra sem pecado. Como um pensamento dinâmico: puro. Escreve-se um plágio em outro. Umas crenças que não são tuas: tornar-se-ão tuas. Porque serás. Perdoarás a alma que te orienta. Sabe-la melhor que tu em decisões. Mais estável e fria: concreta. Tens as interrogações que se afundam no olhar. E essa maré que está presa na barragem do passado. Nada avançará o muro do céu. Tu caminhas no teu corpo: luz que espera salvamento.  

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Suspiro no amanhã



Estou a perseguir-me(-te). Sei-me gotas de alma. Há a testa enrugada a morder a língua. Estou amparada no desequilíbrio. Espero pelo toque que se fala: que se falta. É nessa última visão que me espera que te anseio. Ver-nos. Perceber a tinta que te escorre no olhar. A verdade sem margens. O mundo sem limitações. Conhecer-te sem meu futuro. Saber-me capaz disso. Ser capaz. Averiguar a estrada desfalcada e entendê-la como paraíso. Um caminho arduamente fértil: feliz em sorriso. Um olhar encostado ao passado que se fecha. Um suspiro no amanhã. Aproximo-me. E chega ele. O alívio de puder viver-me de novo.

domingo, 8 de janeiro de 2012

Pensar em ti


Estar perto: encarar-te. Ver a verdade. A minha verdade diante dos olhos: real. Assumir o medo que rasga; que corta. Estou-me (quase) inteira. Tenho o chão quase em formato fixo. Mas há algo que não está – foge. Uma sonhadora vontade que se vive. Que se respira em leito puro. Não escondo (quase) nada. As paredes asfixiam o corpo. O pensamento trespassa a fissura. E vai. Voa. Sonha. Em ser-se consciente o presente: consistente. E a força que me bebe. Num deslize, admiro. Por um instante: foco. E fica o orgulho. Todo ele. Em saber-te. Em preencheres-me o sorriso. Em seres a voz do meu coração. E estou toda eu para ti. Quase para mim – uma parte sou tu. Toda, a pensar em ti. 

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Observar


Sei o que sinto. Sei a verdade. Que é verdade. Podem não acreditar. Interrogar a idade e duvidarem em toda a plenitude. Mas sei a olhar. O olhar. Sei a sorrir. O sorriso. É estagnar todo o tempo. Perder-me. Admirar cada traço; cada gesto. Ter sede da voz. Felicitar ouvi-lo em coração. Ficar. Apenas isso: permanecer a ver. Continuar. A ver. Derramar as estranhezas. Estou-me a encarar. A conhecer de que sou feito. Só nele sei o sonho. Sei-me sonho. Admirar o que se amplifica a cada movimento. Sou a câmara que o capta em mente. Observar. Notar os defeitos e agraciá-los – torna-o real (existente). Gostar de tudo isto. De estar a adorar. De estar a adorar-me pela primeira vez. De amar em presente. De saber-se pureza. De amá-lo. Amar-te.