Olhas o mundo: apetece-te abraçá-lo e mantê-lo preso a ti para sempre. Sabe-lo missão impossível. A estabilidade é sempre impulsionada pela revelia da sua origem: obrigação de uma mudança. Estás no presente e encaras o assustador desconhecido. Cerca-te o medo. A terrível sombra da tua alma tapa o brilho do que existiu. E o rio desaba no teu rosto. Olhas as mãos: tem voz própria - gritam ajuda. Aqui não sei percepcionar o que em mim nasce. Morre a parte que fica. E não nasce a que vem. Não relaciono o que sinto. Não o vejo. Estou desamparada. E peço-te que não me abandonas. Imploro ir nos teus braços. Saber-me presa a ti. A realidade está a desabar e escorrego para o vazio. Para o buraco que existe entre nós. Tu nem sabes a ligação que nos une.

Sem comentários:
Enviar um comentário