domingo, 22 de setembro de 2013

Sei a que sabe o amor



Não sei a que sabe a tua pele. Provo-te – não identifico o sabor. Está a tua fragrância suada no meu corpo. Vejo a loucura e deixo-me render aos instintos selvagens. A vontade está despida. E temo-nos enlaçados sem saber como começamos. O meu corpo procura as carícias. Está a respiração em descontrolo. Já não sei as horas nem os minutos. Não oiço a cabeça que responde sempre tão altiva. Estou eu e tu: abraçados à aventura. Beijo-te o rosto quase como despedida. (A possibilidade de um adeus - não o quero: necessito de o fazer). A barba estende toda a estimulação sensorial. Vou perdendo a respiração.
- Quero ser a parte que te completa e, ao mesmo tempo, a parte que te desconcerta.   
- Porquê?
- Quero ser quem tu sentes falta e de quem tu não precisas. Quem procuras e quem expulsas. Mas no fim quero ser a parte de ti que não renuncias.
As mãos enlaçaram-se – pareciam moldadas para se completarem. Algo destinado a acontecer: a ser sentido.
- Tenho medo.
E tinha. Sentia os poros zangarem-se com a minha alteração corporal. As entranhas a rasgarem os suspiros de certeza. Mas sorria.
Crescia o contorno de felicidade. Era inegável a ligação. Não queríamos arriscar; já não conseguíamos combater.  
- Vamos entender o que nos une.
Olhei-a nos olhos e percebi que nada seria suficiente para explicar. O significado das palavras não seria entendido. Os movimentos presos aos seus eram esclarecedores. Desejava permanecer ali: entregue à insanidade momentânea.
Agarrei nos cabelos compridos: os dedos encontraram a nuca e o pescoço cedeu. Acariciei os lábios no pescoço. Um arrepio percorreu-nos. 
Abri os olhos: a minha realidade - a verdade que considerava um delírio - existia.
Amarrei a visão a toda aquela atmosfera. Eu estava onde devia; onde queria.
- Quero-te.
Estava a vivenciar.
E agora sim:


Sei a que sabe o nosso amor.