Não
sei a que sabe a tua pele. Provo-te – não identifico o sabor. Está a tua
fragrância suada no meu corpo. Vejo a loucura e deixo-me render aos instintos
selvagens. A vontade está despida. E temo-nos enlaçados sem saber como
começamos. O meu corpo procura as carícias. Está a respiração em descontrolo.
Já não sei as horas nem os minutos. Não oiço a cabeça que responde sempre tão
altiva. Estou eu e tu: abraçados à aventura. Beijo-te o rosto quase como
despedida. (A possibilidade de um adeus - não o quero: necessito de o fazer). A
barba estende toda a estimulação sensorial. Vou perdendo a respiração.
-
Quero ser a parte que te completa e, ao mesmo tempo, a parte que te
desconcerta.
-
Porquê?
-
Quero ser quem tu sentes falta e de quem tu não precisas. Quem procuras e quem
expulsas. Mas no fim quero ser a parte de ti que não renuncias.
As
mãos enlaçaram-se – pareciam moldadas para se completarem. Algo destinado a
acontecer: a ser sentido.
-
Tenho medo.
E
tinha. Sentia os poros zangarem-se com a minha alteração corporal. As entranhas
a rasgarem os suspiros de certeza. Mas sorria.
Crescia
o contorno de felicidade. Era inegável a ligação. Não queríamos arriscar; já
não conseguíamos combater.
-
Vamos entender o que nos une.
Olhei-a
nos olhos e percebi que nada seria suficiente para explicar. O significado das
palavras não seria entendido. Os movimentos presos aos seus eram
esclarecedores. Desejava permanecer ali: entregue à insanidade momentânea.
Agarrei
nos cabelos compridos: os dedos encontraram a nuca e o pescoço cedeu. Acariciei
os lábios no pescoço. Um arrepio percorreu-nos.
Abri
os olhos: a minha realidade - a verdade que considerava um delírio - existia.
Amarrei
a visão a toda aquela atmosfera. Eu estava onde devia; onde queria.
-
Quero-te.
Estava
a vivenciar.
E
agora sim:
Sei a
que sabe o nosso amor.
