Estás presa a um
suspiro que arde; que transforma o corpo num descontrolo libertador. E é nessa ansiedade
– em te perderes no que desconheces – que te encontras com quem realmente és.
Sem medos: nem preocupações nos juízos de valor. Sentes o arrepio desprender os medos. E vês-te
fluir para a dimensão dos sonhos. Está lá o medo: não paralisa; impulsiona.
Estás quase que hipnotizada pela forma encantada com que te olham. És
presenteada, nos teus lábios, com o aroma do desejo. Estás irrequieta de
aventura por te veres à margem do que foste. Um eu que percebe que é possível. Vês
as chamas que ardem as mágoas do passado. Seguras o coração com a promessa de
serem-se verdadeiros. E há uma entrega total das vulnerabilidades. Não
enfraquece; fortalece. Percebes que é ao atravessarem a dor que se alcançam.
Estão despidos de segredos – sendo esse o maior segredo da felicidade. São-se:
fiéis a si mesmos – onde as memórias enriquecem o eu. Não há que ter medo do
que fomos se são essas aprendizagens que nos levam ao hoje. Chega o toque que
demonstra a esperança no futuro. E sentes-te viva, pela primeira vez.
Voz Apagada
terça-feira, 11 de dezembro de 2018
terça-feira, 4 de dezembro de 2018
Desabafo ao vento
Um
passo atrás é dado. Existe tanta turbulência – não é possível ouvires a tua
própria voz. Sentes-te perdida nos ruídos do mundo.
E
é nesse furação de dúvidas que não sabes onde te encontras. Como é suposto
sermos quem realmente somos se quem somos magoa?
A
vida molda-te. Tens as derrotas, os desvios e as separações que surgem para que
ocorra a aprendizagem de um controlo na entrega. Um enquadramento entre a
expectativa e a realidade. E vais controlando. Vais-te mentalizando que, de
facto, não podes exigir aos outros aquilo que és para eles; o que eles
significam para ti. Não podes fazer uma demanda dessa partilha: da dádiva.
Perguntas
sobre o teu bem-estar são feitas sem nunca se querer saber, verdadeiramente, a
resposta. Percorre-se um caminho, aos tropeções. Em constantes recaídas – e
quantas vezes te sentes perdido sem uma mão que te alcance?
Uma
roleta de corações que gira em torno das suas conquistas.
Claro
que quando se dá, não se exige. Mas e quando precisas? E quando tentas ser uma
presença constante no desenrolar da vida dos outros? Quando tentas estar na
resolução dos seus problemas; mas ninguém questiona os teus ou está, realmente
ao teu lado, para ajudar resolvê-los?
E
aí? Engoles as palavras que te cortam por dentro? Consentes o que dói?
Só
para não tornar mais ausente o que já o é.
Cria-se
um fosso entre o que és e o que tentas ser. Entre os relacionamentos
verdadeiros e os que tentas que continuem a existir.
Chega
o cansaço da falta de apoio. De leres os relacionamentos como superficiais só
porque é o tempo de duração que os faz permanecer. Onde está o querer estar?
Onde consta a tentativa? Apenas a tentativa de se ser mais para os outros;
pelos outros.
E
todos sabemos que é isso que é suficiente: que é tudo.
Mas
onde está o equilíbrio? Onde está a linha que separa o que somos daquilo que
temos de deixar de ser?
Vivemos
uma vida a lutar pelo que queremos. A descobrir quem somos. Para, por vezes,
termos de o deixar de ser, para poder coexistir.
Um
passo atrás é dado. Vemos a solidão no futuro – não se cria o tempo para se estar
em companhia.
E o tempo não desenvolve esse espaço sozinho. São precisas duas consciências
que se encontrem.
Será
que na vida há tempo suficiente para todos estes desencontros se voltarem a
encontrar?
segunda-feira, 25 de junho de 2018
Máscaras
A vida é um assombro de emoções. Um passado que liga a alma em pedaços. Fissuras escondidas por receios de julgamentos. Há tanto medo do olhar escancarado do outro.
É destas máscaras que nos fazemos menos nossos e mais dos outros.
Sempre à espera de um juízo de valor formulado pelo que desconhecem. Tantas palavras ditas e perdidas no invisível; cortes com a realidade. E construímo-nos nesse limbo de querer ser o melhor; que nos persegue. Que tamanho peso este! Uma exigência absurda para o ser humano.
E quando este lema se torna demasiado para o corpo suportar, há algo errado a que se recorre: às alavancas negras da vida. Aí entregamo-nos menos a nós e mais aos vícios. Largamos a mão do nosso coração - a angústia ocupa o seu lugar. Deixamo-nos afundar nos pensamentos obscuros, demasiado verídicos para ignorar.
Falta a força do abraço para reerguer. Está a dimensão da falha a empurrar. Vamos deslizando na autoestima, que tem fim na descrença.
Existe um rosto refletido no espelho: não é o nosso; nem dos outros. Quem o ostenta?
O nosso outro Eu: alimentado de desamor.
domingo, 15 de abril de 2018
Conquistas
É quando as palavras começam a cessar que percebes que te falta a voz.
Talvez te estejas a perder no meio da rotina. Ou talvez seja o quotidiano que engole os sonhos de criança.
De qualquer maneira, para.
Abre de novo os olhos. Como se estivesses a reparar nos retalhos do mundo.
Concentra-te em ti. No pensamento interior. Nos desejos; com que sopras as velas dos aniversários.
Começa a fazer deles prioridade. Quase como recompensa dos teus sacrifícios diários.
Será que não mereces mimar-te?
Não será para isso que se vive?
Dares valor a ti própria por cada conquista.
E sonhar.
De que vale a pena ir dormir, e querer acordar, sem nada para alcançar?
segunda-feira, 11 de setembro de 2017
Força Interior
No encosto do
teu abraço carregas o peso do meu mundo. Um tamanho fardo que se transforma. Um
ato de cumplicidade que declara o amor.
Amar não é
também aliviar a dor do outro?
Cresce um
tumulto de negatividade. Defendo que esconder as emoções só aumenta o seu
poder. E a mim afunda-me no silêncio.
Quase como se
perdesse a habilidade de construir falas. A voz fica sem coragem para se
expressar. Permaneço nesse nada interior que me cerca.
Sinto que se não
te explicar vamos dissipar no tempo. No meu humor alterado. Nas pequenas
implicações que são o espelho de um descontento próprio.
Não seria muito
mais fácil e resolutivo se te explicasse a origem de tudo isso?
E mais uma vez o
silêncio mantêm-me presa. Como um ciclo vicioso do vazio.
Tento esticar a
mão com um olhar. Não consegues perceber o meu pedido de ajuda. Como irias
compreender se estou tão enigmática em relação ao que me consome?
Talvez seja a
noção de que se falar vou começar a chorar.
Sei que não o
quero fazer – desejo ser forte.
Não me deixar
abalar pela incapacidade de solucionar certos problemas. Pela frustração de não
conseguir fazer (em contextos não laborais) a base da minha profissão: ajudar
os outros.
Como se ajuda alguém
que não quer ser ajudado?
Olho para ti: e
amo-te. Tenho de romper esta névoa que nos afasta.
E percebo que só
sou forte porque falei; porque partilhei. Procurei-te! Expus-me em tom de
ajuda.
Essa é a maior
força de todas!
sexta-feira, 28 de julho de 2017
Paraíso
Estou aqui: no paraíso
(contigo). A sonhar com as infinitas possibilidades do nosso amor. E mesmo no
desencontro, sei que vamos encontrar um retorno ao amparo. Como um lápis em
encanto pela sua despida folha e que a completa com a sua alma.
Olho a janela:
as folhas castanhas bailam com o vento. Uma dança celestial que me hipnotiza.
Compreendo a robusta postura da natureza: a sua autoridade e demanda esmaga o
nosso egocentrismo.
O volume da
televisão está elevado, mas tudo o que ouço são os teus passos entre as vozes
que nada dizem de importante. O mundo poderia falar todo ao mesmo tempo que eu
sempre irei encontrar a tua voz para me guiar. Mesmo quando as trevas nos
assolam – e te vejo coberto do que te entristece -, encontraremos na lágrima a
cura para o avanço. Não somos nada se não formos capazes de tentar enfrentar o
que nos destrói.
Temos o céu a
proteger-nos das escolhas erradas. Um íman que nos agarra à humanidade. E
percorremos o ciclo da vida a uma esmagadora velocidade. Queremos travar o
carro do tempo, mas os minutos assassinam o descanso da pausa.
Por vezes é na
entrega da paixão que nos somos mais verdadeiros. Não deveria ser esse o
comando da vida? Distribuir amor?
Sermo-nos num
mundo azul supremo: a paz e a serenidade. Passarmos pelo crescimento: a
transformação da larva para uma belíssima borboleta. Um eu verdadeiramente teu.
Sabes o que
gosto mais em nós? As crianças que somos juntos. Temos vinte e cinco anos e
continuo – a sentar-me ao teu colo – a andar de baloiço. E é aí, nos teus
braços, que me sinto inteiramente livre.
Um dia quero que
os nossos filhos percebam que eles são o desenho do nosso amor. E que a vida
lhes oferecerá uma janela de oportunidades. Sei que dentro da irmandade saberão
ser amigos. Se qualquer sombra a quebrar a sua união.
Parando com os
devaneios, acabou de entrar o jornal por debaixo da porta. Vou lê-lo enquanto
espero que tu acordes. Gosto de te ver dormir – um dos melhores encantos
matinais.
Tens o nosso
animal de estimação felpudo a aquecer-te os pés. Rio-me. Vocês são a
personificação de preguiça.
Ficar presa ao
mundo dos sonhos não é para mim: prefiro viver na nossa realidade. Dizes
inúmeras vezes (em tom de brincadeira) que a nossa história dava para ser
escrita em livros. Eu acredito nisso – ninguém a definirá como realista, mas
antes como uma ficção.
Sabes, somos o
retrato de família que imagino existir desde pequena. Afinal o conto de fadas são
reais.
Prometo-te que
não haverá nenhuma parede a condicionar a nossa cumplicidade. Prometo-te dedicar-me
a nós; mesmo nas horas de maior dificuldade.
- Bom dia,
Duarte.
Beijei-te o
rosto.
E abres os olhos
(todos os dias) para encontrar o nosso amor.
segunda-feira, 22 de maio de 2017
Uma arma
Uma arma apontada a ti.
Corrói-me a alma sentir-me capturada pelo que te acusam.
(- Ama-la demais.)
Que sabem eles sobre o que nos une? Desta âncora que somos.
Um aprisionar para depois (e só depois) nos libertarmos. Somos um início, sem
fim.
Quem não vive um amor assim não o compreende – não é capaz
de o julgar.
Não deixes que te enganem (têm inveja).
Vamos viver o mundo aos nossos olhos. Fazê-lo nosso. E
sermo-nos em toda a parte.
Não me importa o olhar de ódio com que me encaram. (Por ser
tua?). Que mordam os lábios que suplicam por beijos ardentes.
Reviro os olhos de contentamento: gosto de ser a mulher mais
sortuda por te ter.
Em ti encontrei todos os sonhos.
E nos teus braços realizo-os um a um.
- Beija-me. E vamos riscar mais um local, na nossa lista, onde
nos perdemos um no outro.
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