domingo, 3 de abril de 2011

Palavra

A palavra que cospes
Como quem nada diz,
Rasga a pele cerrando
A lágrima no abstrato envolvente.

E é dessa inconsciência
Em que nasces desnudo
Que se absorve a dor
Que me profundo.

Num beijo me despeço
De ti e mim em conjunto.
Dissolve amor em lentidão
Essa carne de paixão.

A gota que escorre
Na veia artística,
Corta o luar -
Vida sentimentalista.

No chão me deito
Sob a nuvem pensante.
Presa no saciável peito
Cala-se a ordem na voz.

Nessas letras salivadas
Desce a pena que te tenho.
Nunca por ti fui amada,
Na morte me detenho.

E vai a alma,
Como luz de toda a constiruição.

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