segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Força Interior


No encosto do teu abraço carregas o peso do meu mundo. Um tamanho fardo que se transforma. Um ato de cumplicidade que declara o amor.

Amar não é também aliviar a dor do outro?

Cresce um tumulto de negatividade. Defendo que esconder as emoções só aumenta o seu poder. E a mim afunda-me no silêncio.

Quase como se perdesse a habilidade de construir falas. A voz fica sem coragem para se expressar. Permaneço nesse nada interior que me cerca.

Sinto que se não te explicar vamos dissipar no tempo. No meu humor alterado. Nas pequenas implicações que são o espelho de um descontento próprio.

Não seria muito mais fácil e resolutivo se te explicasse a origem de tudo isso?

E mais uma vez o silêncio mantêm-me presa. Como um ciclo vicioso do vazio.

Tento esticar a mão com um olhar. Não consegues perceber o meu pedido de ajuda. Como irias compreender se estou tão enigmática em relação ao que me consome?

Talvez seja a noção de que se falar vou começar a chorar.

Sei que não o quero fazer – desejo ser forte.

Não me deixar abalar pela incapacidade de solucionar certos problemas. Pela frustração de não conseguir fazer (em contextos não laborais) a base da minha profissão: ajudar os outros.

Como se ajuda alguém que não quer ser ajudado?

Olho para ti: e amo-te. Tenho de romper esta névoa que nos afasta.

E percebo que só sou forte porque falei; porque partilhei. Procurei-te! Expus-me em tom de ajuda.


Essa é a maior força de todas!  

sexta-feira, 28 de julho de 2017

Paraíso



Estou aqui: no paraíso (contigo). A sonhar com as infinitas possibilidades do nosso amor. E mesmo no desencontro, sei que vamos encontrar um retorno ao amparo. Como um lápis em encanto pela sua despida folha e que a completa com a sua alma.

Olho a janela: as folhas castanhas bailam com o vento. Uma dança celestial que me hipnotiza. Compreendo a robusta postura da natureza: a sua autoridade e demanda esmaga o nosso egocentrismo.

O volume da televisão está elevado, mas tudo o que ouço são os teus passos entre as vozes que nada dizem de importante. O mundo poderia falar todo ao mesmo tempo que eu sempre irei encontrar a tua voz para me guiar. Mesmo quando as trevas nos assolam – e te vejo coberto do que te entristece -, encontraremos na lágrima a cura para o avanço. Não somos nada se não formos capazes de tentar enfrentar o que nos destrói.

Temos o céu a proteger-nos das escolhas erradas. Um íman que nos agarra à humanidade. E percorremos o ciclo da vida a uma esmagadora velocidade. Queremos travar o carro do tempo, mas os minutos assassinam o descanso da pausa.

Por vezes é na entrega da paixão que nos somos mais verdadeiros. Não deveria ser esse o comando da vida? Distribuir amor?

Sermo-nos num mundo azul supremo: a paz e a serenidade. Passarmos pelo crescimento: a transformação da larva para uma belíssima borboleta. Um eu verdadeiramente teu.

Sabes o que gosto mais em nós? As crianças que somos juntos. Temos vinte e cinco anos e continuo – a sentar-me ao teu colo – a andar de baloiço. E é aí, nos teus braços, que me sinto inteiramente livre.

Um dia quero que os nossos filhos percebam que eles são o desenho do nosso amor. E que a vida lhes oferecerá uma janela de oportunidades. Sei que dentro da irmandade saberão ser amigos. Se qualquer sombra a quebrar a sua união.

Parando com os devaneios, acabou de entrar o jornal por debaixo da porta. Vou lê-lo enquanto espero que tu acordes. Gosto de te ver dormir – um dos melhores encantos matinais.

Tens o nosso animal de estimação felpudo a aquecer-te os pés. Rio-me. Vocês são a personificação de preguiça.

Ficar presa ao mundo dos sonhos não é para mim: prefiro viver na nossa realidade. Dizes inúmeras vezes (em tom de brincadeira) que a nossa história dava para ser escrita em livros. Eu acredito nisso – ninguém a definirá como realista, mas antes como uma ficção.

Sabes, somos o retrato de família que imagino existir desde pequena. Afinal o conto de fadas são reais.

Prometo-te que não haverá nenhuma parede a condicionar a nossa cumplicidade. Prometo-te dedicar-me a nós; mesmo nas horas de maior dificuldade.  

- Bom dia, Duarte.

Beijei-te o rosto.


E abres os olhos (todos os dias) para encontrar o nosso amor. 

segunda-feira, 22 de maio de 2017

Uma arma


Uma arma apontada a ti.

Corrói-me a alma sentir-me capturada pelo que te acusam.

(- Ama-la demais.)

Que sabem eles sobre o que nos une? Desta âncora que somos. Um aprisionar para depois (e só depois) nos libertarmos. Somos um início, sem fim.

Quem não vive um amor assim não o compreende – não é capaz de o julgar.

Não deixes que te enganem (têm inveja).

Vamos viver o mundo aos nossos olhos. Fazê-lo nosso. E sermo-nos em toda a parte.

Não me importa o olhar de ódio com que me encaram. (Por ser tua?). Que mordam os lábios que suplicam por beijos ardentes.

Reviro os olhos de contentamento: gosto de ser a mulher mais sortuda por te ter.

Em ti encontrei todos os sonhos.

E nos teus braços realizo-os um a um.


- Beija-me. E vamos riscar mais um local, na nossa lista, onde nos perdemos um no outro.

segunda-feira, 10 de abril de 2017

Amar de verdade



Sabia-te tão perto de mim como se fossemos um só. Sentia o teu perfume a cada movimento. Quase como se eu te fosse. Será que quando amamos alguém não somos um só? Uma união de duas mentes que se transformam num Eu melhor?

É isso que fazes comigo: ser-me mais inteira a cada pedaço que te sou.

A tua ausência provoca uma certa raiva – é o medo petrificante de te perder. Sinto-me parva a viver este amor. Uma ausência de mim para me ser o mundo.

Na verdade, talvez seja a primeira vez que ame.

- Amo-te como uma criança.

quinta-feira, 23 de março de 2017

Compromisso de felicidade


Os teus lábios nos meus fazem-me sentir viva. Que tudo é possível. Talvez seja digna da felicidade. Talvez os contos de fada existam. Completa de receios e angústias acredito. Tu fazes-me sonhar.

Aquele passeio à beira-mar, em que me contaste todos os segredos, faz-me ser inteiramente tua. Partilharmos a nossa mente não é o mais bonito no amor?

Já vão 8 anos que te sou. Sinto-me tão mais completa quando os teus braços me amparam. És uma extensão de mim. Fazes-me sentir eterna por me saber dividida contigo.

- Estás a ver-me dormir outra vez?

- Não resisto.

Envolveu-me nos seus braços. Senti-o procurar algo debaixo da almofada.

- Conheço-te melhor do que a mim mesmo, Sofia.

Um anel a descer pelo meu dedo. Abri os olhos. A sua respiração sussurrava ao meu ouvido:


- Queres ficar comigo para sempre?

quarta-feira, 22 de março de 2017

Luta contra o Eu



Eu queria; talvez demais. Quando se quer tanto chega a doer. As tentativas falhadas corroem a alma. Estou sentada no chão do meu quarto. Estou eu com a desilusão. Sinto-a como se fosse o meu amante. E o fracasso o meu fim eminente. Tenho as lágrimas como parceiras da vida. Talvez seja isso que me resta – e não quero que me defina -; a minha depressão. Estou neste vazio que espelha como vejo o mundo. Acredita que tento. Ainda hoje jurei levantar-me da cama – uma promessa que fiz à minha irmã por tanto que luta por mim. E levantei-me.

Estou no chão: foi um ganho. Hoje é um dia bom. Quase que sonho.


Esse quase faz-me estar mais distante da morte.  

segunda-feira, 20 de março de 2017

Amar por inteiro


Tenho o arrepio a percorrer-me a alma.

Consegues descontrolar as minhas emoções apenas com a tua presença. É difícil conter o que sinto por ti quando tudo o que fazes é amar-me. E como é bom sentir-me segura na insegurança do amor.

Entreguei-me - cheia de sombras – a ti. E foste, uma a uma, transformando-as em luz. Como é poderosa a forma de me seres. De me ensinares o que é ser-se feliz. Sem restrições. 

Nos teus lábios prevalecem a união e a amizade: um amar por inteiro. Cuidas-me - como se de ti se tratasse. 

E nos teus braços encontrei a minha casa.

É (quase sempre) a nossa mente que destrói a felicidade iminente. Por receio; pelas memórias do passado. Nunca te preocupaste com os demónios que me assombravam. E garantiste-me, a cada momento vivido, que dentro de nós não havia espaço para a escuridão.

Ensinaste-me a ser mais leve. A viver; sem as memórias me arrastarem.

Tu libertaste-me de mim mesma. E eu amo-te por ser livre, ao teu lado.

Aconteça o que acontecer amanhã, hoje sou-me inteira:


Por tu seres metade de mim. 

quinta-feira, 16 de março de 2017

Um pedaço de mim e um todo de saudade


Quando conhecemos a saudade, ela vem para ficar. Não há como separá-la de quem somos. Chega sem notarmos, e vai-se entranhando. Revela as partes que nos faltam. E sentimos que somos um todo sem muitas partes.

A loucura aparece quando tudo o que fica é a falta. Nos olhos tenho os nossos momentos como um filme. Pode dizer-se que é o meu preferido, revivo-o sem parar. E em cada lembrança fica uma dor ainda maior – pela saudade que é insaciável.

Mas se esse é o custo por ter-te como uma pessoa essencial, então deixa que o sinta a todo o minuto. Há laços inquebráveis. E não é que é esta saudade que me constrói? Por ser derivada de ti; do que sou contigo – fazes parte de mim hoje e sempre; aqui ao meu lado ou a quilómetros de distância.

Houve-se por aí que a distância separa - não conheço isso em nós. Transcendemos a verdade? Talvez. Que esta realidade seja a nossa. Deixa que nos achem inocentes – são tolos aqueles que não acreditam. Mesmo que não estejamos juntos, sei-nos constantemente próximos. Há ligações mais fortes que a ausência de palavras. Não precisamos nada mais do que sabermos que nos somos. E o sermo-nos torna-o infinito.

Vens e a insanidade aparece por voltarmos a ser crianças.

Eternas crianças com ambições de adultos. Sou-o contigo, todos os dias.


Não é isso que é ser-se feliz? 

quarta-feira, 15 de março de 2017

Aprender a amar


A memória volta sempre a ti.

Regresso a um passado que tinha tudo para ser o nosso futuro. Recordações que fazem parecer um amor tão fiel: inteiro. E como, agora, é possível ver que estávamos em fragmentos.

Eu por inteiro (partida aos poucos) para nos construir. Tu sem certezas definidas (a tua verdade oculta), a levares-me para onde não querias ir.

A tua presença prometia-me o mundo. Um sabor a conto de fadas – que se desfez; nunca mais pareceu tão preenchido. E a tua ausência ditava tudo o que nunca seríamos. Eu decidi não ver: escolhi a tua alma que idealizava – que as ações não se medem por frases construídas, mas pela sinceridade dos atos.

Como é que me preenchia o nada que me oferecias?

E não é que esse nada era tudo aquilo de que eu precisava?

Foste a cura do meu futuro. Em cada sofrimento pude dar valor ao amor.

Tu ensinaste-me a amar.

Obrigada.

Porque me ensinaste o que não é ser-se amada.  

terça-feira, 14 de março de 2017

Livre


Talvez te encontre neste caminho onde nos perdemos.

Tenho o enlace das memórias. Sei que nos corroemos um ao outro. Mas nesse instante em que deixei de ser quem era, tornei-me quem realmente sou. É estranho reerguermo-nos depois da morte, não é?

Fui calcada por quem achei que era. Porque é que às vezes nos reduzimos aos olhos do nosso medo? Tornei-me pequena: invisível. E achei que seria inteira ao contentar-me com partículas de dádiva.

Percebi que me desfiz: tornei-me na vontade dos outros e nos seus quereres. Morri quando me reneguei. E continuei. Envolvida na mentira que tornei real. As ilusões do pensamento são perigosas - tudo vontade de um coração que sente demais.

Arrastei-me, até me ver no meio de tanta gente sem mim. Parei, reconheci e transformei-me.

Talvez te possa ajudar a sair desse caminho, para te encontrares.

Sou livre por pertencer a lugar nenhum.

Hoje sei-me maior do que o mundo:

Pertenço a mim mesma.