E se eu te
disser que não sei como é que tudo começou? Que já não sei de que sou feita nem
que traços me caracterizam? Ainda tentarias perceber o que o vento levou de mim
e o que restou? Tentarias conhecer o meu verdadeiro eu debaixo de tantas
camadas de histórias? Cicatrizes que mostram o que a existência me fez. A
realidade que tingiu o sonho de muitas outras cores. Uma mistura do que é e não
é. Algo que já não dá para decifrar e acreditar pela confusão em que se tornou.
Uma vida que se vive sem a adrenalina do desconhecido que está por vi. Apenas o
caminhar, só, pelas ruas que já conheces. Por essas lembranças que não permitem
um futuro de possibilidades. Que corta tudo o que poderia ser rejuvenescedor. Que
te faz ser a frieza da neve. Não deixa trespassar o calor de um abraço ou de um
sorriso sincero. Apenas uma existência perdida no interior de tantas outras que
te abandonaram. E vês, sempre, os flocos de neve (antigamente símbolo de magia)
a apoderarem-se do coração. Fica tudo isso. A permissão de ser sem sentir.
terça-feira, 28 de janeiro de 2014
sexta-feira, 10 de janeiro de 2014
Segredos da noite
Sei que dói. Que
o vento aconchega a mágoa ao que resta de ti. Que as cicatrizes não precisam de
ser visíveis para saberes que existem. Simplesmente sentes o peso que te fazem
carregar todos os dias. Caminhas com as lembranças que (ainda) retiram um pouco
de ti. Elas desfazem as cores em cinzas do futuro. É como se a segurança fosse
completamente instável. E as forças vão se desvanecendo com o olhar fraco que
pondera as possibilidades existente. Não há quem te retire dessa montanha russa
de interrogações. Quem forneça respostas tão simples como um abraço. Não há
quem entenda a história que esse sorriso esconde. Nem quem veja a escuridão do
olhar que continua a enfeitiçar estrelas. És apenas tu e os segredos da noite.
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