segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Ligação imperceptível



Olhas o mundo: apetece-te abraçá-lo e mantê-lo preso a ti para sempre. Sabe-lo missão impossível. A estabilidade é sempre impulsionada pela revelia da sua origem: obrigação de uma mudança. Estás no presente e encaras o assustador desconhecido. Cerca-te o medo. A terrível sombra da tua alma tapa o brilho do que existiu. E o rio desaba no teu rosto. Olhas as mãos: tem voz própria - gritam ajuda. Aqui não sei percepcionar o que em mim nasce. Morre a parte que fica. E não nasce a que vem. Não relaciono o que sinto. Não o vejo. Estou desamparada. E peço-te que não me abandonas. Imploro ir nos teus braços. Saber-me presa a ti. A realidade está a desabar e escorrego para o vazio. Para o buraco que existe entre nós. Tu nem sabes a ligação que nos une.   


sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Sei-te não me seres


Estás sentado no meu pensamento. Os sonhos que me vivem quando apago no tempo são teus. Tão mais teus que meus: controlas o meu inconsciente. Fazes-me movimentar pelo interior que te ascende. Os teus lábios são a música que a felicidade me canta. Sei-te apenas a inconsciência. A (não) necessidade de te pensar. Balanças no presente. És o alívio do suspiro que me sai por vontade. Há o sorriso que abraça o fogo do céu. Vejo a auréola que de ti me preenche. Olho para o que te sei não me seres. E vivo com isso: com o te ter colado ao rosto sem o sabermos.


quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Vómito de descontrolo


Diz-me que me agarras: que me prendes. Assume que me podes. Que tens essa necessidade de me querer perto. Do desejo que te arde os lábios. Liberta esse vómito de descontrolo. Faz-te seguidor do  que acreditas - esquece as regras que a mente mumifica. Faz minha essa tua obsessão. Sê - pelo tempo que não sabes que resta – tu. Tens a luz e a escuridão que te beijam a personalidade. Dominam-se por ti: escolhe. Tens a decisão no sonho. E sabes que a rocha que te escorre dos olhos perder-se-á no momento. Cairá no sentimento que pedes inexistência. Fica essa dor em ti. Essa homenagem à mutilação invisível. Não sejas tu a destruir o mundo que os teus pés amam voar.