terça-feira, 26 de julho de 2011

Escorrerá o teu/meu sangue

















Como a mão que te faz o mundo quero ser voz. Escrever um desenho dos caminhos que não existem. Criar. Transparecer. Ouço-me em tons de guerra. Há o sangue que me liberta. As pulsões que se perdem. Cores aparecem em fotografia. A óptica da mente escorre na tinta. As letras que prostituem o papel mais que amantes são doença: vício. E quero ser elas: todas elas. Quero ser-me delas. Tu vês! Vê-las. Vês-me. Conheces o lado inexistente da minha alma. Espelhas-me em ti. Crias-me no tempo em que me vives. Entras em mim: de mim para mim (no interior que não alcanço). Lanças sonhos à fogueira para incandescer a esperança. Sabes-me tão tua. Tu, que me lês, que me ouves, és todas estas palavras. Não as possuo: de minhas não se fazem. São apenas tuas (não minhas). Tu é que as vives: tu é que despertas o código. E amam-te como quem ama sua mãe e seu amor. Dás-lhes isso: amor de compreensão. Poderá haver algum maior que esse? E és tudo isso. Tudo delas. Tudo nelas. Tudo em mim. E quando te esqueceres - quando da flor não fores sol - haverá morte. E escorrerá o teu/meu sangue nelas: nas palavras que nos unem.  

1 comentário:

  1. Sim, sim, sim...Leio-te, vejo-te, ouço-te e quanto mais te leio, vejo e ouço MAIS te quero LER, VER e OUVIR...Será que estou viciada de ti? Obviamente que sim e é tão bom...Continua...Adoro o que escreves e espero mais, mais e mais.Beijo imenso para a minha escritora preferida

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