No encosto do
teu abraço carregas o peso do meu mundo. Um tamanho fardo que se transforma. Um
ato de cumplicidade que declara o amor.
Amar não é
também aliviar a dor do outro?
Cresce um
tumulto de negatividade. Defendo que esconder as emoções só aumenta o seu
poder. E a mim afunda-me no silêncio.
Quase como se
perdesse a habilidade de construir falas. A voz fica sem coragem para se
expressar. Permaneço nesse nada interior que me cerca.
Sinto que se não
te explicar vamos dissipar no tempo. No meu humor alterado. Nas pequenas
implicações que são o espelho de um descontento próprio.
Não seria muito
mais fácil e resolutivo se te explicasse a origem de tudo isso?
E mais uma vez o
silêncio mantêm-me presa. Como um ciclo vicioso do vazio.
Tento esticar a
mão com um olhar. Não consegues perceber o meu pedido de ajuda. Como irias
compreender se estou tão enigmática em relação ao que me consome?
Talvez seja a
noção de que se falar vou começar a chorar.
Sei que não o
quero fazer – desejo ser forte.
Não me deixar
abalar pela incapacidade de solucionar certos problemas. Pela frustração de não
conseguir fazer (em contextos não laborais) a base da minha profissão: ajudar
os outros.
Como se ajuda alguém
que não quer ser ajudado?
Olho para ti: e
amo-te. Tenho de romper esta névoa que nos afasta.
E percebo que só
sou forte porque falei; porque partilhei. Procurei-te! Expus-me em tom de
ajuda.
Essa é a maior
força de todas!
