domingo, 13 de novembro de 2011

Estaca perdida na alma


Como hei-de idolatrar-te se não estou mais aqui? Caminho parada. Sempre que regresso encontro-me no mesmo ponto: no estado de insuficiência. A dor leva-me à doença: estou mentalmente perdida. E tenho o buraco: o tamanho de mim feito em fosso. A incapacidade de transpor-me. De deitar-me no leito do que fomos. Estou de pé, a deixar estancar o sangue. Isso seria, por ordem de outrem, a minha salvação. Mas há sempre a gota que me arranca a voz. Tanto tempo nesta morte sentimental. E tenho o coração que já não se ouve: velocidade reduzida. As lágrimas vivem-se - é o facto que me faz real. A mão olha-se no tempo passado. Recordo os risos. Os beijos que voaram. E a noite descia pelas nossas peles enquanto a luz se infiltrava. E tudo muda em mim: a personalidade descarrega-se em ventrículos conturbados. Não controlo o que de mim vocifera. E querer-te saber só dentro do sorriso. Estou em estado de dormência. Tenho a estaca perdida na alma. Os olhos residem na linhagem de inundação. Acções que ficaram por se ser gente. Estão os pés no medo da concretização. Vamos apreender com os desacertos. E aqueles que já nos viveram nos braços são intrínsecos a nós. O tremor atinge-me. E vai voltar. E estou a ir. Estou, de novo, na profundidade, que já não me sou.      

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