Sabes que te olho: que te dispo
de mentiras. Eu e tu na verdade. Chego-me ao desequilíbrio. Tenho as linhas a
escreverem-se sem lápis. Quero fazer-te em minhas palavras - mas não as és. Sai
a tinta impedida de se sentir realizada. A desconhecer o futuro do mundo só
riscos me interpelam: nada está correcto; nada se embeleza. Sinto horror nas
frases: fracas. Sem poder de sedução. E não têm: nascem de mim. Quero-as em
oposto da alma que as escreve. Quero-as vivas: soltas. Quero-as amantes e amadas.
Numa paixão louca: carnal. Ou no romantismo platônico. Embebedá-las de luxúria
e prazer. Cercá-las de pecados. Serem a vida e a morte em junção. Mas não o
são: são-me. E isso é sentença.