quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Sentença


Sabes que te olho: que te dispo de mentiras. Eu e tu na verdade. Chego-me ao desequilíbrio. Tenho as linhas a escreverem-se sem lápis. Quero fazer-te em minhas palavras - mas não as és. Sai a tinta impedida de se sentir realizada. A desconhecer o futuro do mundo só riscos me interpelam: nada está correcto; nada se embeleza. Sinto horror nas frases: fracas. Sem poder de sedução. E não têm: nascem de mim. Quero-as em oposto da alma que as escreve. Quero-as vivas: soltas. Quero-as amantes e amadas. Numa paixão louca: carnal. Ou no romantismo platônico. Embebedá-las de luxúria e prazer. Cercá-las de pecados. Serem a vida e a morte em junção. Mas não o são: são-me. E isso é sentença.