É de hoje para hoje que me digo.
Que me sei. Irrito-me com isso: comigo. Grito para parar. Para saber fazer-me
em vontades. Não me ouço. Não me obedeço. Desejava deixar. Largar: ficar. Fazer
com que nunca tivesse existido. E não. Não existiu. Mas não quero. Quero que
exista. E quero ser-me assim. Quem sabe um pouco mais autónoma de mim.
domingo, 22 de julho de 2012
quinta-feira, 19 de julho de 2012
Capaz de sentir
Queres saber a pior parte? É estar
sem te ter. Mais que isso. É estar e não te ver. Não sentir esse aroma a rasgar
as veias. Deixar o impulso ir e não ter onde o derramar. Vê-se a distância em quilómetros
- descreve-se no olhar o vazio. Nada está dito ou escrito. Mas é-o – o que
sinto. E vive-se: enche-se em expansão. E gosto de sentir isto: de saber-me
capaz de sentir. Existe a relutância que não desfez o sentimento. Um mundo de
malvadez que se conhece – e nada se evaporou. E o que se ditará daqui?
sábado, 14 de julho de 2012
Sombra das memórias
Nos lábios te fazem o desenho:
suor do desejo. Crês na fantasia que te abraça. Há o nó que se circula no
coração – será verdade? Vives: escondes as angústias – aquele momento é teu.
Conheces o paladar das palavras. Visionas aquele passado. Quere-lo em constante
presente. Esperas. Aguardas o que não sabes que vem. Uns dias sorri-te a
esperança. Noutros encaras a realidade. Em que acreditas? Em ti: nos teus olhos
do coração? Ou nas circunstâncias que se ditam? Nem o caminho que percorres se
manifesta (incógnito). Ficas retida: em ti. Estás na sombra das memórias.
Pinta-las de intensidade: toda a força que tiveram. E o que te cura? O que te
ouve? Estás entregue à insanidade da alma. Nada se poderá escrever. Vem o tempo
na lágrima que ressuscita. Estás de caneta para o céu. De olhos sonhadores no
sentimento. Fácil seria não sentir. Seria não ser o que se é. Fingir! Vamos ser
outro alguém capaz de encarar. Capaz de fazer inexistente tudo o resto. Ser a
morte que não alimenta a chama. Resguarda-se o eu. Par que um dia – quem sabe –
se proteger dele próprio.
domingo, 8 de julho de 2012
Quebrar-me
Não sei que queres de mim: deste
corpo que mal se ergue sem ti. Entranha-se a frieza: única forma de
conhecimento. Sobrevivem os racionais. Quem te coordena é o coração: que te
dirige ao mundo. És esse eu apaixonado pelo amor. Esse pintor que se pendura em
asas. Não voas; não alcanças: esticas a alma em tentativa. Sabes quem és. E
dói. Vive-se o sangue por te conheceres (quase) bem. Ignoras os pensamentos que
sabes existentes. Omites as palavras audíveis ao batimento. Nada que se
manifesta no interior importa. Aguentas o sorriso – o público aplaude. Mais um
segundo se cerna a falsidade. Tens uma capa que te distancia: te afasta de ti.
Um dia vais deixar de te ser – melhor para ti. Está o sorriso a dobrar-se. Nem
se suportam os olhos: sentir tanta mentira. Vamos acabar; terminar: quebrar-me.
Estou no espelho: apática – sem os lábios se moverem. Morreu o sorriso de ti
para a felicidade. Acabou a curva do desejo. Estás a ver-te – agora – como és.
quinta-feira, 5 de julho de 2012
Presa a ti
Estão as palavras ditas. Não há
som: vozes (nada). Espaço desocupado: vazio. Não o permito. Derrubar as dores –
fazê-las inexistentes. Sou portadora da melodia que não se fala. Está o mundo a
ver o sorriso fugir. Não há espera de futuro. Voa a esperança no tempo que
partiu. Não é novidade: é verdade. E a face lê-se como realidade. Estás de
olhos na vida. Queres fechar. Queres perder todos os significados – não podes. Questionaste
o ponto de viragem – perdeste-o. Não sabes de ti: da alma. Desconheces o
caminho. As linhas não são reflexivas de uma memória. Foste a vontade – sem medos;
sem receios. Foste-te pura. Deixaste-te ser. E seguir (pela primeira vez).
Viste a luz e encaras o seu fecho. Nem palavras se combinam. Percebeste:
entendeste que não era possível. (Im)possível se fazem as vontades sonhadoras.
E ficaste presa a ti. Ao que não queres ser. Tornaste-te isso: tudo isso. No
amor perdido. Foi e não volta. Do que sempre sonhaste e não passou disso: um
eterno sonho.
domingo, 1 de julho de 2012
Entregue a ti
Soube no momento em que te toquei
que me sentia. Que pela primeira vez tocava com o coração no céu. Fiz o sorriso
estender-se ao infinito. E vigorei o maior êxtase de felicidade. Cumpri os
sonhos no enlaçar das mãos. Puxaste a minha maior fraqueza para ti: o que
sinto. Vivo-o consciente. Agarro na memória com a força que resta da pulsação.
Sei que ela não omite a verdade – não se pode desfazer o que já se procedeu.
Tenho os lábios no rosto a perpetuar o gosto: a libertar a entrega para ti.
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