segunda-feira, 25 de julho de 2011

Deixei de ser-te para me ser



Vejo a lágrima percorrer-me a vida.
E desce no peito a conciliação com o mundo.
Olho-me no espelho da alma:
Mil projectores me ofuscam a decisão.
A luminosidade torna-me cega das palavras –
Já não as conheço mais: partiram(-se) de mim.
Sou-me o nada que me preenche.
É desse ar que respiro a última vez -
Na última hipótese.
Deixei de ser-me para te ser –
Não valeu a pena.
Chega!
Agora sou-me não tua.
Sou-me em mim (sem ti).
Sei ser-me.
Um canteiro de possibilidade
Aquece-me os lábios.
Molha-se o gosto desconhecido.
E há a janela que se dilata.
Sou-o: eu –
Pela primeira vez.

2 comentários:

  1. Lindo! Estás cada vez melhor!!! Imenso orgulho em ti.

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  2. adorei, tá fantástico, acho q dá, nem que seja, uma liçao a todos que lêem, todos nós devemos "ser-nos", independentemente dos nossos sentimentos, devemos sempre por-nos em primeiro lugar, e ver o que é melhor pra nós proprios. :)

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