domingo, 23 de outubro de 2011

Vejo-te o rosto do coração


Meu fogo das palavras,
Há o desejo que te quer. E este sol que me queima a alma. Sinto-me inalar a aura dessa beleza. Vejo-te o rosto do coração: és a verdade do presente. Quero-te dentro e fora de mim: no pensamento e ao lado do corpo. Apagaste-me as mágoas e as memórias que me destruíam. Há um novo giro que me espera: uma esfera de oportunidades. Longe está o impossível. Um novo dicionário surgiu. As palavras juntaram as pétalas do teu corpo. Arrepio-me pronunciando cada poro. Tenho o desejo em forma de necessidade. Preciso da tua vida. Sem ti sou a névoa que adormece a personalidade. E transforma-se em pó o meu/teu pertence. Só na união que se liga esta melodia poderei falar as chamas. Quero os braços, os lábios sendo os meus. Tapar a tua nudez com o lençol do meu calor. Dou-te os olhos para veres a lua do futuro. A mão passa na penumbra que te esconde – abrigo o medo que te fecha. No coração colho a rosa que nos nasce. Deixa prender-me-te. Ser-me tua. Entrego a disponibilidade de alteração. Sou a ti, em ti todo eu: a projecção do sonho. Os olhos são teu espelho. Estamos rosto a rosto. Perto de abençoar as imperfeições. Dá-me saliva nos lábios – seremos (para a eternidade) um.


Com o coração nos lábios,
Da tua simetria.  

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Vendo os olhos


É na consciência de me saber pertencente a algo mais forte (a ti) que te faço inconsciência da mente. Não te encaixo numa organização categórica. Esqueço as palavras que me beijam a dor. Sinto apenas. Vivo de lágrimas na voz e do sorriso na alma. Sei-me verdadeira pelo que me vibra. Não quero lógica nem percepção; não existe força para declamar o que significas – só desfalecerei em grau voluptuoso. Fico com o corpo e como que se reproduz. Arranco a mente do reflexo que me atinge. Deslizo pelo que sou: pelo que sinto (gota a gota). Sei-me a falcatrua. A mentira do chão que finjo calcar. Vendo os olhos do sentimento do coração. Do que sinto por ti.


segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Sempre que volto a ti


Quero arrancá-lo de mim. Sangra num choro que não escorre. Fica a voz no interior da alma. E sinto-o em mim como um pedaço que me abafou. Não deixo: não posso pensar em ti. Num instante o pensamento entrega-se aos braços das memórias – estou a morrer. Mato-me sempre que volto a ti: desfaço-me todos os segundos. A todo o tempo me apago – sou a apatia do (não) mundo: ele não me vê. Corta a respiração e a tua falta esfaqueia-me o peito. Sinto esta dor física: é a resposta de que ainda estou viva.   

sábado, 8 de outubro de 2011

Olhos Amantes


Sei o sol que calco e o céu que beijo. E sabe-me tudo aos teus lábios. A saliva que em mim adormece cicatriza o espaço existente. Olho: sei-te a perfeição do rosto que me vê. Quero-te em reflexo constante. Seres-me projecção do futuro. Ouço-te o canto das palavras – soa a voz como hipnotismo. Temos as mãos (quase) dadas: um milímetro. E sei-me tão cheia de ti sem te ter. Melhor é o tempo que te desejo sem a consciência no sangue. Pertencemo-nos sem o físico. A mente está entregue à plenitude: misturada no abraço que a constrói. A pureza vive em seres-te por me seres. É no quase toque que somos: sou tu e és eu. É ali: nesse instante que (sem tudo) somos tudo. Entregues estão as almas e os corpos. Agora – antes do mundo – sabemo-nos inteiramente um para o outro. Somos os olhos que nos sentem e os ouvidos que nos falam. Somos os cinco sentidos num corpo amante por estar a ser amado.   

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Invejosa Realidade


Sou invejosa. Quero prender-te a estas palavras. Fazer-te entendedor da alma que não interpreto. Está o coração nas tuas mãos – não o vês. Quero pintar-te o conhecimento. Iluminar a obscuridade das interrogações. Não o devo. Está em mim a consciência de me saber em erro. O mundo que nos vê esconde-te de mim. Não posso chegar: não consigo a aproximação. A mão desliza sobre o teu rosto: há o vidro que nos separa. Conheces-me a alma. Sei-te a vida. E é o que nos liga que nos separa. Foi num tempo que não soube e no presente que não estás. Tenho que permanecer no canto visual: lugar onde não estragarei a tua realidade.