Nem palavras se entendem. São as
lágrimas a arremessar a vida: afaga-se a dor. Quer-se um refúgio nos teus
braços: nos braços de quem magoa. Recolher-me em ti como se o quisesses. Como
se me quisesses. Fingir que somos um do outro – que não há corações rompidos e
que o caminho era tão perfeito como eu te via. Vejo-te quase dessa mesma forma
- não o quero de forma diferente. Encarar a realidade é saber que me perdi. Que
me deixei ir/ enganar mais uma vez. Estou nos braços do mundo que me esmagam.
Quando pensei que nos braços tinha o mundo. Rodaste os pensamentos. As
perspectivas retrocederam a um patamar que sonhei inexistente. E fiquei eu sem
ti. Desta vez, eu sem mim.
segunda-feira, 30 de abril de 2012
sábado, 28 de abril de 2012
Fecho de luz
Cai a lágrima da voz. Sou eu a
despedir-me do que imaginei. Sonha-se com um coração de asas. Percebe-se que a
imaginação mentiu factos. Tenta-se a
falsidade do sorriso. É - ainda assim – um sorriso. Não é meu. Nem teu. Um sorriso
nos lábios que não se lhe pertencem. Mas que está: que permanece. Uma farsa
credível. Um estado para enganar a alma que se esconde do mundo. Que se recolhe
sem coração. Que se tenta impermeável à inundação que se aproxima. Uma
aproximação real do fecho de luz.
domingo, 22 de abril de 2012
Sangue de entrega
Há isto como quem quer: quem te
quer. Uma morte tua declarada minha. Vê-se o corpo inerte de consciência.
Vive-se a nuvem na voz. Pertencem-se sonhos – são todos eles espelhados de
vida. Cores em vista detalhada. Pormenores configurados de novidade. E um
quotidiano que deixa de o ser. U cristal que se crava no coração. Reluz-se o
sangue de entrega. Clarificam-se as acções futuras. Rasga-se o esboço de um
passado. É distante a ligação já vivida. Como que nos olhos mentisse a mente –
delírios de alguém inexistente. E era: eramos. Num pedaço: num organismo: o que
fomos. Uma imagem desfigurada de credibilidade é encarada. Vemos o eu com essa
impossibilidade passada. É o rio que lava os rasgos de engano. Apagam-se traços
erróneos da personalidade. E aproximamo-nos hora após hora da verdade. Da
igualdade: do coração para a alma.
domingo, 15 de abril de 2012
Segredos que se confessam
É ao tocar-te nessas palavras que me/ te descubro. É a carícia que me fazes pelo tempo. É o caminho que nos recolhe que me deita nos braços de pertença. Sei-te aqui – ainda longe, mas abraçado (como que um cheiro intensificado). Está-me nas mãos a decisão. E quer-se todo o corpo e a consciência contigo. Tem-se o olhar a imaginar-te. O sonho a querer-me em ti. Há todos os sarrabiscos que se escrevem. Está-se nas palavras não caligrafadas a verdade. Tudo dito em mim – num futuro que espero. Vem a voz autoritária: esmaga o sorriso – triturado pela realidade. E dançam as lágrimas como única solução - vivem-se por cada poro. Casa de segredos que se confessam. Para mim. Para o eu: a alma. Olha-se a mão (de novo): diferente. Vestígios do que se deseja agarrar. Segura-se o possível: com força o inevitável. Para que não vás. Para que não te deixe ir.
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