sexta-feira, 28 de julho de 2017

Paraíso



Estou aqui: no paraíso (contigo). A sonhar com as infinitas possibilidades do nosso amor. E mesmo no desencontro, sei que vamos encontrar um retorno ao amparo. Como um lápis em encanto pela sua despida folha e que a completa com a sua alma.

Olho a janela: as folhas castanhas bailam com o vento. Uma dança celestial que me hipnotiza. Compreendo a robusta postura da natureza: a sua autoridade e demanda esmaga o nosso egocentrismo.

O volume da televisão está elevado, mas tudo o que ouço são os teus passos entre as vozes que nada dizem de importante. O mundo poderia falar todo ao mesmo tempo que eu sempre irei encontrar a tua voz para me guiar. Mesmo quando as trevas nos assolam – e te vejo coberto do que te entristece -, encontraremos na lágrima a cura para o avanço. Não somos nada se não formos capazes de tentar enfrentar o que nos destrói.

Temos o céu a proteger-nos das escolhas erradas. Um íman que nos agarra à humanidade. E percorremos o ciclo da vida a uma esmagadora velocidade. Queremos travar o carro do tempo, mas os minutos assassinam o descanso da pausa.

Por vezes é na entrega da paixão que nos somos mais verdadeiros. Não deveria ser esse o comando da vida? Distribuir amor?

Sermo-nos num mundo azul supremo: a paz e a serenidade. Passarmos pelo crescimento: a transformação da larva para uma belíssima borboleta. Um eu verdadeiramente teu.

Sabes o que gosto mais em nós? As crianças que somos juntos. Temos vinte e cinco anos e continuo – a sentar-me ao teu colo – a andar de baloiço. E é aí, nos teus braços, que me sinto inteiramente livre.

Um dia quero que os nossos filhos percebam que eles são o desenho do nosso amor. E que a vida lhes oferecerá uma janela de oportunidades. Sei que dentro da irmandade saberão ser amigos. Se qualquer sombra a quebrar a sua união.

Parando com os devaneios, acabou de entrar o jornal por debaixo da porta. Vou lê-lo enquanto espero que tu acordes. Gosto de te ver dormir – um dos melhores encantos matinais.

Tens o nosso animal de estimação felpudo a aquecer-te os pés. Rio-me. Vocês são a personificação de preguiça.

Ficar presa ao mundo dos sonhos não é para mim: prefiro viver na nossa realidade. Dizes inúmeras vezes (em tom de brincadeira) que a nossa história dava para ser escrita em livros. Eu acredito nisso – ninguém a definirá como realista, mas antes como uma ficção.

Sabes, somos o retrato de família que imagino existir desde pequena. Afinal o conto de fadas são reais.

Prometo-te que não haverá nenhuma parede a condicionar a nossa cumplicidade. Prometo-te dedicar-me a nós; mesmo nas horas de maior dificuldade.  

- Bom dia, Duarte.

Beijei-te o rosto.


E abres os olhos (todos os dias) para encontrar o nosso amor.