Estou aqui: no paraíso
(contigo). A sonhar com as infinitas possibilidades do nosso amor. E mesmo no
desencontro, sei que vamos encontrar um retorno ao amparo. Como um lápis em
encanto pela sua despida folha e que a completa com a sua alma.
Olho a janela:
as folhas castanhas bailam com o vento. Uma dança celestial que me hipnotiza.
Compreendo a robusta postura da natureza: a sua autoridade e demanda esmaga o
nosso egocentrismo.
O volume da
televisão está elevado, mas tudo o que ouço são os teus passos entre as vozes
que nada dizem de importante. O mundo poderia falar todo ao mesmo tempo que eu
sempre irei encontrar a tua voz para me guiar. Mesmo quando as trevas nos
assolam – e te vejo coberto do que te entristece -, encontraremos na lágrima a
cura para o avanço. Não somos nada se não formos capazes de tentar enfrentar o
que nos destrói.
Temos o céu a
proteger-nos das escolhas erradas. Um íman que nos agarra à humanidade. E
percorremos o ciclo da vida a uma esmagadora velocidade. Queremos travar o
carro do tempo, mas os minutos assassinam o descanso da pausa.
Por vezes é na
entrega da paixão que nos somos mais verdadeiros. Não deveria ser esse o
comando da vida? Distribuir amor?
Sermo-nos num
mundo azul supremo: a paz e a serenidade. Passarmos pelo crescimento: a
transformação da larva para uma belíssima borboleta. Um eu verdadeiramente teu.
Sabes o que
gosto mais em nós? As crianças que somos juntos. Temos vinte e cinco anos e
continuo – a sentar-me ao teu colo – a andar de baloiço. E é aí, nos teus
braços, que me sinto inteiramente livre.
Um dia quero que
os nossos filhos percebam que eles são o desenho do nosso amor. E que a vida
lhes oferecerá uma janela de oportunidades. Sei que dentro da irmandade saberão
ser amigos. Se qualquer sombra a quebrar a sua união.
Parando com os
devaneios, acabou de entrar o jornal por debaixo da porta. Vou lê-lo enquanto
espero que tu acordes. Gosto de te ver dormir – um dos melhores encantos
matinais.
Tens o nosso
animal de estimação felpudo a aquecer-te os pés. Rio-me. Vocês são a
personificação de preguiça.
Ficar presa ao
mundo dos sonhos não é para mim: prefiro viver na nossa realidade. Dizes
inúmeras vezes (em tom de brincadeira) que a nossa história dava para ser
escrita em livros. Eu acredito nisso – ninguém a definirá como realista, mas
antes como uma ficção.
Sabes, somos o
retrato de família que imagino existir desde pequena. Afinal o conto de fadas são
reais.
Prometo-te que
não haverá nenhuma parede a condicionar a nossa cumplicidade. Prometo-te dedicar-me
a nós; mesmo nas horas de maior dificuldade.
- Bom dia,
Duarte.
Beijei-te o
rosto.
E abres os olhos
(todos os dias) para encontrar o nosso amor.
