segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Finjo em mim de mim

A saliva, que me sacia, sepulta a dor.
Aterro: dispo a hipocrisia.
Toco-me: nudez - pele virgem de verdade.
Arranho a instável novidade.
De olhos no arrepio derramo-me em suspiros.
Na montanha mental: gravura auditiva.
O timbre imperfeito - cordas por estriar.
Conhecimento que perfura ideias.
Realidade falsa.
Teu olhar: meu cúmplice.
Rostos: sorriso espelhado.
Oculta sabedoria.
Ousadia que esmaga o sentimento.
Finjo em mim de mim: minto.
Represento.
Difusão da alma que se evapora.
Do incógnito cerra-se o destino: sonho.
O papel conhece os espasmos temperamentais.
Num eu que me esculpo fabrico o impossível.
Desejo: deitar o corpo em teu espírito.
Tua cabeça: pintada de meu reflexo.
Enredo que te escrevo de lápis escravo.
Dedos que delineiam um espremer interior.
Num saco de água esclareço a verdade.
Apagar-te do tempo corrido não é permitido.
Enganava-me.
Provar a mim que tua presença é natural; declarar-te(me) já não meu foi um tempo escárnio.
Superior à dor do inevitável.
Morro na tristeza da sombra - que teu rosto esconde.
Perco (-me) neste mundo, o mundo em que conheci a felicidade de te amar!

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