Quando ouço a tua voz fluir na
minha direcção não há nada que arrecade com o sorriso. É como se sonhasse
em função da tua presença. É inevitável esta ligação em que me desfaço:
torno-me mais eu a cada ponto em que te sou. É estranho saber-me tão impotente
de mim. Saber-me tão comandada por esses movimentos. Fazes-me desejar ser a
sombra que te acompanha. Que te olha em admiração deslumbrante – observa-se
pelo meu olhar. Há a tua luz no mundo que vivo. É sentir o calor do abraço -
que não chega a ser dado – quando os corpos se acompanham no percurso da
estrada. É estar de mão dada (não apenas a ti) à tua vida. Não se quebra a ligação
nem pela invisibilidade dos corpos. Sente-se pela magia que as palavras contornam.
É entre as lágrimas do mundo que encontro a única felicidade sincera: tu.
sábado, 26 de maio de 2012
quarta-feira, 16 de maio de 2012
Ser-se mútua a vivência
É como que esperar o que não vem.
Não se chega a esse presente. É um eu desfigurado: corrompido pelas palavras do
tempo. Vagueiam-se os sonhos. Falta a pertença: o conforto do amaço. O agarrar
de um abraço que se quer com a intensidade da eternidade. É querer naquele
momento com toda a força. Não é o desejo ou a sacia. É o precisar da
humanidade. Viver os sentimentos: rasga-los da imaginação e atirá-los para a
realidade. Atirar-nos no corpo do imprevisto. Mas tê-lo e amá-lo por se ser
disponível. Saber controlá-los: atribuí-los. Saber que se recebe e não só que
se tem. Poder sentir a oferenda do beijo. A sensação de partilha: de entrega.
Ser-se mútua a vivência. E ser-se o eu não só dele. Mas ser-se o ele todo meu.
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