Gostava de ver-me sem névoa. Sem a nitidez fugitiva. Estou turba. Em réstia de nada. Está-se a voz deslocada: perdida. Sei-me não suficiente. Isso - insuficiente é carícia! Maltratado o rosto vive: húmido. Nem se escreve em cântico a alma. Encrava-se a fluência. Pisado se encontra o sonho. A miragem. Os olhos distanciam-se do alcance. Brilho escuro que se abraça. O corpo nega a existência de alguém. Está a coordenação desemparelhada. Congela-se as emoções. Esfria-se tudo o resto. As paisagens são a negação do suspiro já consumido. Avança o sopro: colisão. O tempo voa num organismo sem estímulo. Olha-o sem visão. Está-se exposto à espera. À entrega a uma felicidade enterrada. Estão as mãos em amparo: a prender o coração.
segunda-feira, 26 de dezembro de 2011
segunda-feira, 19 de dezembro de 2011
Descobrir o coração
Os sonhos deliram-se em vontades. Há o espírito que se alcança: a mudança se deseja. A neve desce nos olhos. Cristaliza-se a esperança de possibilidade. Há novidade existente: novas oportunidades se aconchegam nos lábios. Crê-se nas vontades e nas virtudes. Fazem-se suposições do grau de importância. Percebe-se o mundo que se desenha em eixos erróneos. Vemos as amizades que pintam a magia. A melodia invade o coração. Deixa-se a nostalgia tingir a alma – sempre existiu, mas agora liberta-se. Cercamos o medo: as lágrimas - corroeu-se a necessidade de carinho. Todos precisamos. O abraço que não aperta dá lugar à memória que já não se vive. Quer-se isso. A mão que agarra a anca. A sensação de segurança. Ter esses braços em mim. Saber-te minha protecção: meu amparo. O frio roça o olhar. Vê-se a falta patente. Vamos descobrir os corações. Saber as palavras que se fundem. Quero ler a melodia que se dita. Estica a prece. Mata o orgulho. Sê capaz de te admitir. Sê tu. Ama as fragilidades e as carências. Vê no gelo a vida em gosto. Em virtude. Queiramos ser-nos aos outros em todo o tempo. No que nos é permitido. No respirar. Tece essa lei em sorrir. Dá-me o sorriso – vamos voar juntos? Deixa-me ser essa inconsciência. Essa vergonha que tu desejas. Ter o corpo perto sem refúgio. E ser esse refúgio que se é. Que se precisa. Ser a pele em que se percorre o tempo. Gasta-se as fissuras que contam histórias. Sou esse ponto que não é o final. O início da história. Desta história nossa: minha / tua. Caminho para te ter. Para ser quem procuro encontrar. Dá-me a tua mão. Vamos juntos ser. Ser a felicidade que se permite. Que não se impede. Vamos ser eu e tu. Os flocos de neve que se beijam. Ser a magia de ser novo. Vamos ser os corpos que se querem para sempre.
sexta-feira, 16 de dezembro de 2011
Ouvir-te em verdade
O tempo avança em avalanche. Fico presa ao sorriso que te vê. A juventude grita brilho: despe a preocupação. Quero estagnar-me nesta idade. Ter as sensações em altitude. Quero sentir os teus lábios pela primeira vez. Saber de que sabor se fazem. Interrogar a delícia; apreciar o carinho que se acha eterno. Ser a explosão de sentimentos: viver no auge (sem rodeios). Passar-te a mão no rosto e ver-te o meu infinito. Termos os corpos em simetria. Ouvir o teu coração falar-me a verdade. Olhar-te apenas. Olhar e admirar. Paralisar na imagem que se vê. Focar-me no silêncio. Centrar-me na tua alma. E conhecer-te na profundidade que se imagina. Sem o toque saber-me tua: um suspiro me entrega. Ter-me no teu olhar. Ser o sorriso que espelhas. Estar convicta de que te tenho. Que a mão está para mim. E o abraço que ampara as lágrimas que em ti derramo. Fica-te o meu mundo: entrego-te - és o sinónimo da felicidade. Está-me a tua miragem em consciência. Ter a idade que me permite voar. Ter as asas em instâncias altas: pensar-te sempre. Viver isto. Tudo isto. Ser capaz de o fazer. Ter a possibilidade de o experienciar. Com alguém. Contigo!
És a paixão que queima o fogo. Sou sol – estás em mim: brilho da minha existência.
quinta-feira, 1 de dezembro de 2011
Término da negação
Temos o brilho nos lábios que se estendem. É impossível desfazer o feitiço que os olhos amam. E vai-se a respiração que se retira em suspiro. Há o silêncio que se canta. A voz desconhece o que profere: liberta-se a magia no tom. Voa-se a alma em manifesto. Baila-se a sombra de um corpo que não domina o estado espiritual. São as lágrimas a escapulir. Os pulos interiores a crescer. Nada se percebe como ordeiro – não há configuração: um prognostico do sentimento. Dá-se a fusão: felicidade. Tudo que se vocifera é sinónimo de surpresa. Assume-se a oposição da mentira criada. Vês-te num reflexo cintilante. Observas as estâncias que se criam em redor. Pára-te o mundo nos olhos: fixas. Admiras a miragem que já não se esvai. E em impulsos rotineiros dá-se o desejo. Ter-te em abraço. Sentir o aroma consumir-me o plano real. Respirar para o pescoço que pede lábios. É o sonho: dentes investirem na pele que vicia. Encher-te. Prolongar-me em ti. Corpo com corpo. Massa: material que fervilha. Viver o coração que se bate desse lado. Saboreá-lo. E sabê-lo meu.
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