domingo, 25 de março de 2012

Deixar-te para me ser


É difícil seguir o caminho e saber que ficaste. Saber que tive de te deixar para me poder ser. São memórias que não se vão. Estás no meu coração: és o ar que o respira. São sentimentos que se agarram. Abraços que se deram e os que estão por vir. E é sentir tudo isso num toque. A tua presença: a minha protecção. Estou-me entregue a ti – abraçada ao teu eterno apoio. É saber que ali sou eu e tu (sem existir o mundo). Mas não se pode: não nos permitimos. Está o beijo quente na bochecha que flori o sorrir. Vejo tudo puro nos teus olhos: transparente. Quero-te em mim para sempre. Os momentos vividos em estado presente. Quero gritar e fazer-te essa voz. Quero chorar e seres a mão que as colhe. Preciso de ti como precisas de mim. E sê-lo-emos juntos.  

sábado, 17 de março de 2012

Só eu te vi pelo coração

Há um rasgo de interjeições que se falam. Ordenam cicatrização. Vê-se luz na ferida. A gargalhada intensa no sangue que se chama. E é a dor. Essa dor que dá satisfação – sinal de vivacidade. O ardor que cega toda a percepção. Deixo-me em nada. Sem ti: sem mim. Flutua a mente num sopro de mentiras. Verdades desfalcadas. Uma caneta que vive vigorada pela ocultação dos factos. Inapagáveis são os actos que te desenham: esses momentos que te forneces. Diz-me em que voz amplias? Qual é essa grossa vaidade de saberes-te proprietário de uma alma que te deseja? És um espelho que não reflecte o interior. Apagaste as memórias do que foste. E não és no futuro. Não há nada que acredite: que o sinta pelo olhar. Só eu te vi pelo coração.       

segunda-feira, 5 de março de 2012

Caminhar para o coração


Tenho o perigo comigo. Está escondida a tentativa de fuga. Todas as opções se confundem. Um cerco que me envolve. Respiro para tentar encontrar o ar. Há a novidade que se sufoca. Um adiantamento de tudo se rasga no presente. Não se calculam as consequências. Age-se pela possibilidade. Encara-se o eu que se sabe existente. E está tão restrito a si próprio. Com medo de ser-se ele próprio. E se não for suficiente essa força? E se tudo o que se é não basta para se ser? Para seres. São sensações escapatórias da mente. Lucidezes desfeitas pela inquietude. Há uma vaga de frio que assassina a voz. Tudo desaparece com o sopro do silêncio. Ficas tu e ele: pensamentos acumulados. Encara-os como únicos sobreviventes de um mundo irrigado de informação. A verdade é desconhecida pelo olhar que não se encontra. Procuram-se as mãos para o amparo. Está-se um imaginário de sonhos que te elevam. Tentas acreditar. Tentas confiar. E vês-te (uma última vez) a caminhar. A andar para o teu coração.

sexta-feira, 2 de março de 2012

Espelhar-me


Apareces em corres garridas. Um sorriso se explode do mundo – é uma imagem nítida: transparente da alma. E não sei definir as equações do sentimento. Puxa-se o interior para a entrega. E é querer dar-me. Dar-me-te. A ti. Deixar-me ir devagar. Sentir que estamos nesse olhar: encontro. Ter-me em tua memória. Saber-te meu pensante. Há vontade de ser-te numa linhagem que nos pertence. Ser-me consciente do que te vive. Ler o coração que me escreves. Pintar-te de alegria: ser autora dessa construção. Pertencer ao meu lado que questionava existência. Sucumbir-me do mundo. De todo ele. E ser capaz: espelhar-me (toda) em ti.