Vejo que ninguém
me cerca. Estou sozinho na rua. Sinto que posso gritar as entranhas e ninguém
ouvirá. O céu está claro em oposição à minha alma. Não era que estivesse
revoltado com o mundo: era comigo. Portanto precisava de divagar. Caminhar
entre as questões. E ver os locais que me fizeram sentir a felicidade e aqueles
mesmos que ma roubaram. Irritava-me os namorados e a respiração presa um ao
outro – já não sabia o que isso era. Talvez o erro fosse meu em não tentar em
demasia. Mas não queria pressionar. E lutar? Por quem através do silêncio pede
distância? Sempre disse que tentaria resolver as coisas: que não percebia porque
é que as pessoas complicavam tanto os relacionamentos ou aquilo que sentem.
Agora percebo! Não é fácil enfrentar o que o coração teima em falar. Dói expor
tudo o que sentes sem teres alguma previsibilidade. É o desconhecido que corta
o ar e a esperança. E saberes capaz de ter o futuro sem essa pessoa. Então
sentes que é mais favorável continuares nessa dor que te torna menos humana do
que perderes quem te dá um pouco de sanidade (no meio de tanta loucura que te
faz sentir).
domingo, 24 de novembro de 2013
terça-feira, 19 de novembro de 2013
Poema
Poema (ouço) na tua voz. Tenho todas as palavras que não
estão ditas encravadas no coração. O silêncio corta-me o ar. Fico presa àquelas
paredes que me esmagam. Recordo-me da cama: do cheiro dos lençóis. Do meu corpo
quase a cair sobre o teu. Daquela entrega que se fazia. E eu sabia que o queria
mais que tudo. Sentia os nossos corpos gritarem um pelo outro. Sentia o coração
pertencer-se pela primeira vez. E estava louca por ti como nunca senti que
poderia estar. Derrubei o muro dos medos e dei-te o sabor dos meus lábios.
Compreendi o porquê de me render ao teu olhar. Ele é a profundidade da tua
alma. E tivemos as mãos a sentirem todo o nosso ser. A honestidade ditava os
toques. E no respirar sentia que não me querias soltar. Arrepiava-me a sensação
de ser demasiado doloroso afastarmo-nos. Ao inspirares-me o cabelo percebi que
me arrancavas a essência. Sabia que me possuías com ânsia. Os teus braços
prendiam-me como se me quisesses ter agarrado já ontem. E eu sentia-te sem
pensar onde aquilo nos levaria. Tínhamos deixado de pensar: escolhido ser. Pela
primeira vez desde sempre permitimo-nos sentir: sermo-nos.
Hoje olho-te e tudo parece uma mentira. Mata-me a indiferença
que retribuis das minhas ações. Sinto-me a gelar e sei que não sou capaz de
recuperar. Passam os luares que tanto amava e agora espelha-se a solidão das
lágrimas. Sangra (todos dos dias) a separação que se fez. Tento sorrir para
enganar a sociedade que me cerca. Tento ser-me, mas levaste a alegria que foi
em ti que abracei. Fiquei sem os suspiros que te admiravam. Ficou no olhar a
incompreensão. E no rosto permanece a dor de quem já não aguenta sentir-se tão
pequena por gostar-te tanto.
Sei que mergulhei fundo demais. E já não consigo voltar à superfície.
Não agora que não estás lá para me alcançar.
Arde o que os outros viam: o poema.
Subscrever:
Mensagens (Atom)

