quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Tornas-te cega


É esse rasgo. O rasgo da tua vida que se deita na minha. E debruço-me nessa margem: na que não conheço nem sei o que virá - são duas películas que se solidificam. Há a protecção que é exercida entre nós. Cuida-se de (quase) tudo - as aparências em excesso. Fica desamparado o que de mais vivo há em ti. Nem a alma que o deseja consegue. Só tu o podes fazer. Mas esqueces-te. É mais simples. Há sempre uma facilidade maior em fechar os problemas. Em tornares-te cega. Mas o coração não aguenta. A chuva esmaga-o; devora-o a vida. Mas quem o degola és tu. Se voltares a respirar - nem como suspiro de renascença - ele responde. Tu és o estímulo. Se andares presa ao declínio nada te separa. Nada te ajudará. Só tu te podes salvar. Enquanto tu de vida fores feita terás sempre um guardião: o teu coração.     


2 comentários:

  1. " Enquanto tu de vida fores feita terás sempre um guardião: o teu coração." linda a frase Alexandra!!

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