sábado, 8 de outubro de 2011

Olhos Amantes


Sei o sol que calco e o céu que beijo. E sabe-me tudo aos teus lábios. A saliva que em mim adormece cicatriza o espaço existente. Olho: sei-te a perfeição do rosto que me vê. Quero-te em reflexo constante. Seres-me projecção do futuro. Ouço-te o canto das palavras – soa a voz como hipnotismo. Temos as mãos (quase) dadas: um milímetro. E sei-me tão cheia de ti sem te ter. Melhor é o tempo que te desejo sem a consciência no sangue. Pertencemo-nos sem o físico. A mente está entregue à plenitude: misturada no abraço que a constrói. A pureza vive em seres-te por me seres. É no quase toque que somos: sou tu e és eu. É ali: nesse instante que (sem tudo) somos tudo. Entregues estão as almas e os corpos. Agora – antes do mundo – sabemo-nos inteiramente um para o outro. Somos os olhos que nos sentem e os ouvidos que nos falam. Somos os cinco sentidos num corpo amante por estar a ser amado.   

1 comentário:

  1. ditopor-naodito.blospot.com8 de outubro de 2011 às 15:49

    a minha coleguinha escreve muito bem.
    ditopor-naodito.blospot.com

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