domingo, 13 de julho de 2014

Estás em todo o lado

Tenho medo de escrever o que me vai na alma. De perceber o tamanho do dano causado. Custa olhar para dentro e ver tudo estilhaçado. Perceber que não tem reparo. Mas ter um exterior inteiro para continuar a vida. Mas como se continua quando se sente a ir todas as forças? Quando quem te dava forças, e segurava aquele impulso de tristeza para bem longe, já não está? Como se aguenta todos os medos atingirem-te todos de uma só vez? É o não acreditar na capacidade de superação. É uma força que parece tão fraca. É desejar apenas o conserto por quem criou tudo isto. É querer aquele abraço: o abraço de pertença ao infinito. Sentir que tudo ainda lá está. Que o amor não se evapora, se expande. É querer provar que a luta é mais recompensadora do que as cicatrizes associadas à batalha. É mostrar-te que somos mais felizes juntos do que separados. É fazer-te entender que sei que vales a pena, que és bem melhor do que tu vês.


Não consigo provar-te nada disto – tu não permites. Se calhar estás bem melhor sem mim. Talvez fosse mesmo isso que precisasses. Apesar de ser tudo aquilo que eu não preciso. Como se luta por quem não quer lutar? Como posso amar-te desta forma se o que sentes não é suficiente? Como posso reduzir-me ao mínimo e lutar pelo que resta?


É esta saudade que quase me mata toda a vez que respiro. São as lembranças constantes em todos os lugares. Estás em todo o lado, porque estás em mim. E eu não consigo arrancar-te de mim.