quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Olho-te

As rosas caem: vestem o teu corpo – pele branca tingida pelo meu sangue.

Beijo o teu pescoço: as costas são arranhadas (unhas).

Puxo o teu cabelo comprido – esconde a perfeição.

Penetrado no amor vejo-te mais uma vez.

Olho-te.

A luz da lua pinta-te.

(desconhecida)

Peculiar: amor?

As estrelas expandiram-se.

O espaço abraçou-nos: não existe som.

(nada)

Só nós.

Minha mão na tua.

Teus lábios nos meus.

Meu, teu corpo.

Eternidade

- agora acredito –

Contigo.

Aguardo

Olhar para o que não se vê.
Despir essa beleza que te consome.
Fazer-te soar ao ouvires a minha voz.
Uma palavra leva-te ao êxtase.
Somos pedaços: risos; lágrimas: vivências.
Azul: infinito.
Olhar: profundeza.
Quero percorrer no teu olhar a profundeza do infinito. Pincelar de azul o silêncio.
Palavras; ritmo: conexão.
Ligação perfeita. Ruído criado pela distância.
A voz não mata o incógnito.
Mais uma vez. Uma vez e serei tua. Uma e outra e continuarei aqui.
Aguardo.
Desejo a mão:
Os lençóis perdidos no chão.
As roupas beijadas.
Dois corpos nus que expandem a verdade.
 Aguardo:
Pela tua partida.
Pela – futura – chegada.
Procuro o arco-íris: o calor da intimidade.
A borboleta a voar: palavras que se aniquilavam no suspiro.
Risos! Olhares!
Aguardo pela mensagem:
Pela palavra:
A tal:
“Amo-te”.                                                                                                                         

Conhecer-te nas minhas mãos teu corpo

Possuir-me nos teus/meus braços.

Sentir-te nos meus/teus lábios.

Conhecer-te nas minhas mãos teu corpo.

Deslizar na água que nos refresca.

Escaldar ao sol que nos ilumina.

Viver a vez não vivida.

Deixar os cabelos voarem no sopro da voz.

Conduzir a vida para o desconhecido.

Descalçar as mentiras: purificá-las – verdades.

Atrás da sombra um coração: só? – humano.

Limpar a sujidade: fazê-lo brilhar.

Uma voz rouca.

Um corpo.

A nua pele arranhada de incertezas: cicatrizes.

Condutas sem fim.

Unidades e falcatruas.

Destinos: um caminho.

Qual será o nosso?

Precioso Sorriso

Tudo entoa: une-se o espectro de cores. Dá-se a faísca (vitalidade).

Num instante: normalidade (de novo) – reduz-se a memórias.

O campo magnético altera-se: a bússola muda. O ponteiro viaja de um lado para o outro – onde está o teu coração?

A lágrima cai; a dor rasga o peito: aí: no novo caminho. Existe um desvio que te leva ao passado (ao indesejado futuro): obrigatoriedade.

Mas, neste sítio, anteriormente calcado, estás diferente. O novo eliminou o velho (entranhou-se). E foste forçada a perder esse novo. A perder o que te reluzia (sem escolha).

E o ponteiro dança – onde queres estar?

-Onde estava aquele tão precioso sorriso.

A procura

Mar: infinito – há tanto para descobrir.

Cruzamento: tudo se torna perfeito.

Linha: procura da felicidade.

Existem sorrisos; lágrimas, porque há uma natureza que me engloba e que me tornou ser humano. Tenho raciocínio e faíscas de alucinações.

Mas há algo de errado em pensar: pensa-se em demasia – leva-nos à dor de perda; da impossibilidade; da incógnita.


Em certa fase da vida, sem idade concreta, todos encaramos este ponto. Alguns: destemidos. Outros: receosos. Mas passa: prossegue-se.

Início: o (re)começo: procura de vida.

Nesta vida, nesta única vida, procura-se apenas uma coisa: vida (com o objectivo de viver).

Em torno destas palavras se salienta a inquietude: estamos destinados a um único facto: morte.

Não adianta pensar. Viver! Lutar por consegui-lo.

Aqui existe uma luta. Entra na luta para lutar.

Entra nela e luta. Luta com desdém.

Afinal: que ganhará?

Quem viverá mais tempo (lúcido)? 

Ponto

Num ponto da vida (tens de o definir): o ponto.

Chega de tentar. Chega de gostar e odiar. Chega!

Há que terminar com o que já devia ter terminado.

Começar um começo.

O ponto.

Uma caneta fissurada; um papel borrado: um ponto.

Um pedaço de tinta que realize o desfecho.

Olhar: incidir: canalizar.

O ponto.

Apagar as linhas. Riscá-las: desonrá-las.

Porque a desonra desonrou-te.

O medo de sintetizares deslizou um período.

Tesoura: corte.

Mudança repentina.

Atmosfera nova (límpida; saturada): nova.

Um ponto.

Há que terminar com o que te deteoriza.

(.)

Lutar

O tempo pode ser colossal. Tal como o bater do teu coração – consegues ouvi-lo: bum bum; bum bum? Ele respira a um ritmo surreal. Ritmo que te faz avançar ou parar. Que te faz cair e erguer. Chorar e sorrir. É ele que te faz viver.
Apaixonada?
É ele que o determina. A febre: o calor humano ataca-o. E aí, aí tudo se altera. O mundo pinta-se de cores nunca dantes representadas pelo olhar cansado de ver o que sempre viu. Agora vê algo novo. Um rasto de felicidade. De insegurança e certeza. Desejo de abraços; de fogo ardente no encostar dos lábios. Desejo de viver!
Em certos momentos algo se vai e fica. Fica o que não foi. Fica aquela lágrima. A tristeza de não teres lutado. De não teres tentado o suficiente. Mas de que serve martirizar se nunca se chega a conhecer os dois lados?
Humanos!
É disso que somos feitos. Mais da amargura do que qualquer outra coisa. É como se fosse o nosso oxigénio. Pensamos e isso já basta para sofrer. Torna-se o suficiente.
Lutar?
Não há forças. Nada te tira do buraco em que te encontras. Pode-te segurar, mas nunca te puxa. Não sais dali. Podes rastejar: nada! Porque apenas depende de ti. Da tua decisão. E se eu não quiser tomar essa decisão? E se isso for demais para mim? Porque é. É demais! É o medo. A insegurança. É tudo. E não é nada. Mas é o eu há para ser. É o que é e o que não é. Mas é. E tudo se resume a isso. A ser. Ser o que não posso ser. E o que nem posso escolher ser. Porque seja o que for não será o que sonhei. Porque nada é como se imagina. Pode já ter derramado dias: dias melhores. Continua ali. Aqui! A dor está a consumir-me.
Quem quer realmente saber?
Eu? Não! Nem eu própria quero. Já não aguento mais olhar para ela. Senti-la! De um modo parece que ninguém me segura sequer. Todos compreendem: mentira. Não compreendem. Porque quem está a passar por isto sou eu. Mais ninguém.
Portanto: não.
O que é que podem compreender se nem eu própria compreendo?

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Não podemos desistir de nascer

Os gritos desfiguram a raiva: aliviam a voz arranhada de desespero. Os sorrisos arrepiam as lágrimas. Os sonhos embelezam as nossas vidas. É suspeito se isto tudo realmente existe; se nós realmente existimos. O mundo é derivado do conjunto de letras “s” e “e”, que formam o “se”. Esse “se” carrega a envergonhada importância de nos fazer acreditar que tudo pode ser possível. Mas talvez não possa: talvez, nada possa. As vírgulas são as pausas para as nossas pequenas respirações que quase são afogadas pelo desespero de nunca podermos parar. O ponto e vírgula são os segundos que nos dão lugar a pensamentos mais profundos e nos fazem continuar a cavalgar pelas ondas da esperança. Os travessões são os momentos em que nos pomos em segundo plano e tentamos reviver aquilo que nunca mais pode ser vivido; o momento em que verificamos em que consistiu o nosso passado: a nossa vida. Os parênteses são o enterro do tempo; a liberdade das nossas enraivecidas perguntas. Os dois pontos são a conclusão de que -  de uma forma equívoca - temos de continuar em frente. E por fim, o ponto final é o encerramento da nossa história: da nossa existência. O fim das nossas dúvidas e, quem sabe, o lugar ao esclarecimento. Por isso - até que o nosso ponto final não chegue -, vivemos na ilusão; nos segredos do mundo. Tudo é um mistério e ninguém sabe aquilo que vem em seguida. Caminhamos numa corrida medrosa. Porque não temos tempo de voltar à partida, ou desistir dela. Não podemos desistir de nascer. 

Vaguear na Vida

O coração pára
O sangue percorre
Rancorosamente
As veias

Será apenas ciúmes?

Nos olhos
A amargura
Do coração
E a vontade



De gritar,
De libertar
O demónio
E fico

Como uma sombra
A vaguear
Pela escuridão
Da vida.

domingo, 19 de setembro de 2010

Quem sou eu?

Desfigurada de demência - deixando-me levar pelo choro incontrolável - abracei-te. Os lábios deliravam risos e decidi beijar-te. A mente enrolava a vida. possuída pela loucura, dei-me um estalo.
- Quem sou eu?