sábado, 4 de junho de 2011

Conheço-te a voz do coração


A relva pica o corpo.
Tenho-te em toda a mente – o olhar está preso ao teu.
Respiro o sorriso dos teus lábios.
Com a lua a escrever o brilho: vejo-te o rosto.
A pele pede carícias – não é o indicado.
Restam-me segundos, estou a ler-te a alma – antes que o mundo nos expulse desta intimidade.
Conheço-te a voz do coração.
Controlo a vontade: não deveria libertá-la?
Deixá-la voar sobre ti.
Não falo:
Os olhos sorriem o que a voz não pode ouvir!

Sei-me tua

Vontade de te abençoar com a humidade de um beijo.
E se fosse o primeiro?
O primeiro mesmo sendo o último?
Sê-lo-ia.
Teria em mim o teu gosto.
Pela língua circularia o amor de um acto.
Deixa-o ser-se inconsciente: é puro.
Nos lábios o abstracto: o toque suave da saliva que se
deseja.
Unir-se-ia o invisível.
Sagrar-se-ia em mim a tentativa.
O vento levá-lo-ia comigo: em mim.
Se a hora falar: tira-mo.
Leva-o contigo.
Ele é meu: é teu.
Consumado nada mo retira.
A memória é a chave da consciência.
Sei-me tua: no nosso irreal beijo.