Quando eu pensei que segurava o
meu mundo - que o protegia nos meus braços – não senti medo. Senti-me capaz.
Lutadora. Sonhadora. Alguém que alcança. Completa. Nada me faltava. Nem precisava
de mais nada. Tinha me esquecido que era preciso respirar; pestanejar. Nada tinha
importância a não ser estar. Acolher aquele corpo maior que o meu. Saber que o
tinha. Que me tinha. E senti que nada abalaria isso. Que faria tudo para o amparar.
E faria se me tivesse sido permitido.
Numa noite tudo mudou. Num simples
fechar de olhos. As perspetivas mudaram. E aquele sonho já não era mais uma
realidade, mas uma verdadeira mentira.
Agora olho e não sei quem sou. De
que sou feita. Tiraste-me. Mantenho-me erguida porque luto para viver. Desequilibraste-me.
E não me parece que nesta procura por mim encontre de novo o equilíbrio. Aquele
perfeito que tinha contigo. Não me percebo mais do que não te percebo a ti.
Interrogo-me e sei que não obtenho voz: apenas suspiros que se entendem. Em ti
nada encontraria porque já nem é relevante. Já não procuro perceber-te. Mas,
sim, entender o que pretendo e o que quero.
Já não sei o encanto. Tu
prendeste-me. Mas eu já não te conheço. Não sei porque é que ainda resta esta
ligação. E não a consigo quebrar. Por mais que ande para longe de ti, que me
afaste, não chega. Nada é suficiente.
Não dá para explicar tudo isto.
Apenas escuta o passado. Olha-me nos olhos. Vê-me. Talvez entenderás.
Honestamente não sei. Não sei
sentir isto por ti. Não sou mais capaz. Esconder. Fazer de conta que o mundo é
perfeito nas imperfeições. Sorrir para nem te dar o doce sabor de importância.
Aguentar as lágrimas que me rasgam.
E muito menos sei explicar o que
vi em nós os dois.
Eu e tu: juntos.
