É sem saber para onde ir que vou. Desconheço o caminho e o que é percorrer. Não sei a estrada nem os paralelos. Esqueço o alcatrão e a forma como o piso. E ando sem saber como nem para onde. Mas quero andar. Quero viver. Mais que isso quero achar. Tenho a sua ânsia (não será errada)? É neste desejo que encontro pela última vez a dor. Aquela dor que estava entranhada nas lágrimas que me eram amantes. A dor que era constante por saber que o que queria era impossível. Agora que parti essa prisão, desconheço o futuro. E temo-o. Temo-o por me saber tão dele que me consome. Porque quero saber o que vem: o que me espera. Quero encontrar-me de novo.
sábado, 30 de julho de 2011
quarta-feira, 27 de julho de 2011
Tens-te

Beijo esse carinho que o vento me traz – saudoso me era. Esqueci-me do movimento do corpo como resposta – o mundo apaga o que te esqueces de dar a mão. Vagueias na rua dos pensamentos sem saber o que te dizem, e sentes. Despe-te a brisa (rasga a roupa da inconsciência). Estás nua para o mundo. A poça espelha-te: há um mundo de transformação que te rodeia. Ali está ele: o suspiro da incredibilidade em forma de iniciação. Chegou, já em lembrança quase esquecida, a doçura. Passa a carícia no coração. Sorris. Existe! E vês - pela primeira vez – o anjo. E tens(-te) a áurea que é mais brilhante que a estrela do sonho.
terça-feira, 26 de julho de 2011
Escorrerá o teu/meu sangue

Como a mão que te faz o mundo quero ser voz. Escrever um desenho dos caminhos que não existem. Criar. Transparecer. Ouço-me em tons de guerra. Há o sangue que me liberta. As pulsões que se perdem. Cores aparecem em fotografia. A óptica da mente escorre na tinta. As letras que prostituem o papel mais que amantes são doença: vício. E quero ser elas: todas elas. Quero ser-me delas. Tu vês! Vê-las. Vês-me. Conheces o lado inexistente da minha alma. Espelhas-me em ti. Crias-me no tempo em que me vives. Entras em mim: de mim para mim (no interior que não alcanço). Lanças sonhos à fogueira para incandescer a esperança. Sabes-me tão tua. Tu, que me lês, que me ouves, és todas estas palavras. Não as possuo: de minhas não se fazem. São apenas tuas (não minhas). Tu é que as vives: tu é que despertas o código. E amam-te como quem ama sua mãe e seu amor. Dás-lhes isso: amor de compreensão. Poderá haver algum maior que esse? E és tudo isso. Tudo delas. Tudo nelas. Tudo em mim. E quando te esqueceres - quando da flor não fores sol - haverá morte. E escorrerá o teu/meu sangue nelas: nas palavras que nos unem.
segunda-feira, 25 de julho de 2011
Deixei de ser-te para me ser
Vejo a lágrima percorrer-me a vida.
E desce no peito a conciliação com o mundo.
Olho-me no espelho da alma:Mil projectores me ofuscam a decisão.
A luminosidade torna-me cega das palavras –
Já não as conheço mais: partiram(-se) de mim.Sou-me o nada que me preenche.
É desse ar que respiro a última vez -
Na última hipótese.
Deixei de ser-me para te ser –
Não valeu a pena.Chega!
Agora sou-me não tua.
Sou-me em mim (sem ti).
Sei ser-me.Um canteiro de possibilidade
Aquece-me os lábios.
Molha-se o gosto desconhecido.E há a janela que se dilata.
Sou-o: eu –
Pela primeira vez.
segunda-feira, 18 de julho de 2011
Perdi-me em ti (mais uma vez)
Olhei-te como que instantaneamente – já não o fazia há muito tempo. Talvez por não te reconhecer mais. Fixei sem me dar por isso. E perdi-me em ti mais uma vez. Nesse tempo que me aprisionou percebi-te de novo. Vi como uma miragem o que já foste (o que não és mais). Distorcemos a visão quando é o coração que propaga os pensamentos. Mas não é só isso. És um humano que desconheço. Que se faz distante por o querer ser. Eu não o sou por gosto. Tu talvez o sejas por desdém. Mas vi (ali) o passado: o ser antigo. Roubaste-me a saudade de te ver/ de te querer. É impossível ceder ao desejo quando o espelho já não reflecte a verdade. E tu já não és a minha essência. És a mentira que se esconde num olhar perdido de quem nunca há-de saber o que quer. Agora, eu não sou capaz de te conhecer a voz.
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