Tenho saudades – não de mim, nem
do passado – tuas. Dos teus abraços. Do teu olhar a compreender-me. Do silêncio
que nos fala. É estranha esta angústia que sinto. Este pedaço que me falta: os
teus braços a envolver-me. Ao não te ver é como se não te pudesse proteger –
como se um corpo desse cariz precisasse das minhas mãos (mas era um aconchego
da alma). E sinto um vazio: aquela felicidade pura que me deste (que não me
tiraste). Era só ver-te e tudo voltava ao normal por alguns instantes: até o
tempo roubar a tua amizade de mim. Tirar a presença e fazê-la de alguém que não
eu. E imagino as tuas palavras sussurradas. As cócegas nos meus lábios. E um
abraço: os braços que nos encontram mais uma vez.
quinta-feira, 22 de novembro de 2012
domingo, 11 de novembro de 2012
Ser alguém
Por momentos consegui. Saí: saí
de ti. Fui-me encontrar longe. Distante de ti antes de voltar. E fui tão feliz
nesse tempo. Fui o que me mantém viva. Deram-me o sorriso de verdade. Aquela
alegria saltitante que me foi tirada. E após tanto tempo fui-me de verdade. Vi
noutros olhares uma vida nova: uma tentativa de oportunidades. Senti-me segura
só através de vozes. De um sussurrar cantado. Que mexe: que faz efervescer a
própria alma. Uma dormência reativa: explosiva para a atividade. E não importa
o que possa voltar. Nem as lágrimas e a tristeza que podem cair. Interessa que
fui. Que posso ser alguém (eu) longe de ti.
domingo, 4 de novembro de 2012
Prosseguir
Há esta parte que tenta. Que
procura não sentir. Mas como se pode retirar um pedaço intrínseco? Uma parte
tua? Queres ser esse projeto novo. Seguir. Tens um passado que não deixa. Uma
mente que obriga à lembrança. E vives as memórias uma e outra vez (quase) como
se no presente vivessem. E lá vem os traços das tuas palavras: a voz que me
embala no sonho. Nasce o sorriso dessa aura em que te vejo. E sei-te não
perfeito. Tenho o coração que aceita todos esses defeitos que tanto podem magoar.
Mas és tu: essa arquitetura esculturada de características que seu que conheço.
Desejo que sintas a minha saudade. Que a alivies com a tua. não demonstras
(talvez não a sintas). Ou é quem és (que sei que és) e apenas não. Encostaste a
ti – sem abraçar o que sabes que te acolheria. E estão os braços esticados
(eternamente) – (quase) sem sinal de cansaço. Em forma de luta está a espera
agarrada ao avanço. Mas nada muda e, no fundo, esperas o que dizes não esperar.
Proclamas em alma convincente avanço, mas os pés continuam a beijar o mesmo
lugar que antes. Vês o sorriso (aquele rosto que queres). Sentes as mãos na tua
(que não está). Arrepias o beijo que foi dado. Queres – antes que voltes a cair
em ti – tudo outra vez. Tão intensamente que dói o pulsar da vida. E percebes a
olhar o futuro que nada mudará. A luta é contigo própria. No sentir nada é
configurado. Segura a alma à crença e junta o coração à perceção. Projeta-te.
Vê a verdade. Faz a tua justiça da dor. Sonha: acorda. Vamos tentar caminhar?
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