quinta-feira, 23 de março de 2017

Compromisso de felicidade


Os teus lábios nos meus fazem-me sentir viva. Que tudo é possível. Talvez seja digna da felicidade. Talvez os contos de fada existam. Completa de receios e angústias acredito. Tu fazes-me sonhar.

Aquele passeio à beira-mar, em que me contaste todos os segredos, faz-me ser inteiramente tua. Partilharmos a nossa mente não é o mais bonito no amor?

Já vão 8 anos que te sou. Sinto-me tão mais completa quando os teus braços me amparam. És uma extensão de mim. Fazes-me sentir eterna por me saber dividida contigo.

- Estás a ver-me dormir outra vez?

- Não resisto.

Envolveu-me nos seus braços. Senti-o procurar algo debaixo da almofada.

- Conheço-te melhor do que a mim mesmo, Sofia.

Um anel a descer pelo meu dedo. Abri os olhos. A sua respiração sussurrava ao meu ouvido:


- Queres ficar comigo para sempre?

quarta-feira, 22 de março de 2017

Luta contra o Eu



Eu queria; talvez demais. Quando se quer tanto chega a doer. As tentativas falhadas corroem a alma. Estou sentada no chão do meu quarto. Estou eu com a desilusão. Sinto-a como se fosse o meu amante. E o fracasso o meu fim eminente. Tenho as lágrimas como parceiras da vida. Talvez seja isso que me resta – e não quero que me defina -; a minha depressão. Estou neste vazio que espelha como vejo o mundo. Acredita que tento. Ainda hoje jurei levantar-me da cama – uma promessa que fiz à minha irmã por tanto que luta por mim. E levantei-me.

Estou no chão: foi um ganho. Hoje é um dia bom. Quase que sonho.


Esse quase faz-me estar mais distante da morte.  

segunda-feira, 20 de março de 2017

Amar por inteiro


Tenho o arrepio a percorrer-me a alma.

Consegues descontrolar as minhas emoções apenas com a tua presença. É difícil conter o que sinto por ti quando tudo o que fazes é amar-me. E como é bom sentir-me segura na insegurança do amor.

Entreguei-me - cheia de sombras – a ti. E foste, uma a uma, transformando-as em luz. Como é poderosa a forma de me seres. De me ensinares o que é ser-se feliz. Sem restrições. 

Nos teus lábios prevalecem a união e a amizade: um amar por inteiro. Cuidas-me - como se de ti se tratasse. 

E nos teus braços encontrei a minha casa.

É (quase sempre) a nossa mente que destrói a felicidade iminente. Por receio; pelas memórias do passado. Nunca te preocupaste com os demónios que me assombravam. E garantiste-me, a cada momento vivido, que dentro de nós não havia espaço para a escuridão.

Ensinaste-me a ser mais leve. A viver; sem as memórias me arrastarem.

Tu libertaste-me de mim mesma. E eu amo-te por ser livre, ao teu lado.

Aconteça o que acontecer amanhã, hoje sou-me inteira:


Por tu seres metade de mim. 

quinta-feira, 16 de março de 2017

Um pedaço de mim e um todo de saudade


Quando conhecemos a saudade, ela vem para ficar. Não há como separá-la de quem somos. Chega sem notarmos, e vai-se entranhando. Revela as partes que nos faltam. E sentimos que somos um todo sem muitas partes.

A loucura aparece quando tudo o que fica é a falta. Nos olhos tenho os nossos momentos como um filme. Pode dizer-se que é o meu preferido, revivo-o sem parar. E em cada lembrança fica uma dor ainda maior – pela saudade que é insaciável.

Mas se esse é o custo por ter-te como uma pessoa essencial, então deixa que o sinta a todo o minuto. Há laços inquebráveis. E não é que é esta saudade que me constrói? Por ser derivada de ti; do que sou contigo – fazes parte de mim hoje e sempre; aqui ao meu lado ou a quilómetros de distância.

Houve-se por aí que a distância separa - não conheço isso em nós. Transcendemos a verdade? Talvez. Que esta realidade seja a nossa. Deixa que nos achem inocentes – são tolos aqueles que não acreditam. Mesmo que não estejamos juntos, sei-nos constantemente próximos. Há ligações mais fortes que a ausência de palavras. Não precisamos nada mais do que sabermos que nos somos. E o sermo-nos torna-o infinito.

Vens e a insanidade aparece por voltarmos a ser crianças.

Eternas crianças com ambições de adultos. Sou-o contigo, todos os dias.


Não é isso que é ser-se feliz? 

quarta-feira, 15 de março de 2017

Aprender a amar


A memória volta sempre a ti.

Regresso a um passado que tinha tudo para ser o nosso futuro. Recordações que fazem parecer um amor tão fiel: inteiro. E como, agora, é possível ver que estávamos em fragmentos.

Eu por inteiro (partida aos poucos) para nos construir. Tu sem certezas definidas (a tua verdade oculta), a levares-me para onde não querias ir.

A tua presença prometia-me o mundo. Um sabor a conto de fadas – que se desfez; nunca mais pareceu tão preenchido. E a tua ausência ditava tudo o que nunca seríamos. Eu decidi não ver: escolhi a tua alma que idealizava – que as ações não se medem por frases construídas, mas pela sinceridade dos atos.

Como é que me preenchia o nada que me oferecias?

E não é que esse nada era tudo aquilo de que eu precisava?

Foste a cura do meu futuro. Em cada sofrimento pude dar valor ao amor.

Tu ensinaste-me a amar.

Obrigada.

Porque me ensinaste o que não é ser-se amada.  

terça-feira, 14 de março de 2017

Livre


Talvez te encontre neste caminho onde nos perdemos.

Tenho o enlace das memórias. Sei que nos corroemos um ao outro. Mas nesse instante em que deixei de ser quem era, tornei-me quem realmente sou. É estranho reerguermo-nos depois da morte, não é?

Fui calcada por quem achei que era. Porque é que às vezes nos reduzimos aos olhos do nosso medo? Tornei-me pequena: invisível. E achei que seria inteira ao contentar-me com partículas de dádiva.

Percebi que me desfiz: tornei-me na vontade dos outros e nos seus quereres. Morri quando me reneguei. E continuei. Envolvida na mentira que tornei real. As ilusões do pensamento são perigosas - tudo vontade de um coração que sente demais.

Arrastei-me, até me ver no meio de tanta gente sem mim. Parei, reconheci e transformei-me.

Talvez te possa ajudar a sair desse caminho, para te encontrares.

Sou livre por pertencer a lugar nenhum.

Hoje sei-me maior do que o mundo:

Pertenço a mim mesma.