Pensas que tudo está
estabelecido. A confiança enraizada – que nada abalará as palavras passadas. E
aparece-te a sombra: a dúvida. Já nem sabes o que és: não para ti, para os
outros. E começas a duvidar da confiança escrita em ti. Dói a alma de encarares
o que aconteceu. Queres fazer do facto mentira. Desenhares uma e outra vez o
momento como diferente – não dá: já se sucedeu.
É triste: olhares-te ao espelho e desconfiares. Duvidares das ligações que
criaste. Não serão elas de dimensões tão fortes? Onde tudo pode ser dito sem
ser pensado. Dizer o que se sente, o que se vive, sem mentiras. Com traços de
angústia, mas de uma aura de confiança. Vais seguir. Andar. Caminhar no lugar
antigo para um tempo novo. Fazeres-te esquecida. Tentar (mesmo) matar os
pensamentos. Há sempre algo que fica no olhar. Vais sorrir. Vais voltar. E
nesse tempo há-de ser. Há-de ser outra vez. Mais uma vez. Tudo o que foi. O que
querias que se tivesse mantido. Uma farsa feliz.
