A vida é um assombro de emoções. Um passado que liga a alma em pedaços. Fissuras escondidas por receios de julgamentos. Há tanto medo do olhar escancarado do outro.
É destas máscaras que nos fazemos menos nossos e mais dos outros.
Sempre à espera de um juízo de valor formulado pelo que desconhecem. Tantas palavras ditas e perdidas no invisível; cortes com a realidade. E construímo-nos nesse limbo de querer ser o melhor; que nos persegue. Que tamanho peso este! Uma exigência absurda para o ser humano.
E quando este lema se torna demasiado para o corpo suportar, há algo errado a que se recorre: às alavancas negras da vida. Aí entregamo-nos menos a nós e mais aos vícios. Largamos a mão do nosso coração - a angústia ocupa o seu lugar. Deixamo-nos afundar nos pensamentos obscuros, demasiado verídicos para ignorar.
Falta a força do abraço para reerguer. Está a dimensão da falha a empurrar. Vamos deslizando na autoestima, que tem fim na descrença.
Existe um rosto refletido no espelho: não é o nosso; nem dos outros. Quem o ostenta?
O nosso outro Eu: alimentado de desamor.
