Tornaste-me calada. Insensível
aos meus sentimentos. (Sabia que poderia acontecer). Fui obrigada a reter todas
as emoções. De nada me ajudaria mantê-las vivas. Então fui-me corroendo. Fui
deixando mais e mais de acreditar em mim: no que o coração falava. Fi-lo
inaudível. Enganei-o. Menti sempre mais para poder chegar à verdade que já era
encarada anteriormente. Caminhei para longe - de tudo o que não queria. Já não
permito. Já não dou autorização para representar a minha voz. Fechei-me
(nenhuma transparência do eu para a identificação). E estou assim. Neste eu que
não sei. Neste eu que não quero saber.

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