É como que esperar o que não vem.
Não se chega a esse presente. É um eu desfigurado: corrompido pelas palavras do
tempo. Vagueiam-se os sonhos. Falta a pertença: o conforto do amaço. O agarrar
de um abraço que se quer com a intensidade da eternidade. É querer naquele
momento com toda a força. Não é o desejo ou a sacia. É o precisar da
humanidade. Viver os sentimentos: rasga-los da imaginação e atirá-los para a
realidade. Atirar-nos no corpo do imprevisto. Mas tê-lo e amá-lo por se ser
disponível. Saber controlá-los: atribuí-los. Saber que se recebe e não só que
se tem. Poder sentir a oferenda do beijo. A sensação de partilha: de entrega.
Ser-se mútua a vivência. E ser-se o eu não só dele. Mas ser-se o ele todo meu.

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