Há um rasgo de interjeições que se falam. Ordenam cicatrização. Vê-se luz na ferida. A gargalhada intensa no sangue que se chama. E é a dor. Essa dor que dá satisfação – sinal de vivacidade. O ardor que cega toda a percepção. Deixo-me em nada. Sem ti: sem mim. Flutua a mente num sopro de mentiras. Verdades desfalcadas. Uma caneta que vive vigorada pela ocultação dos factos. Inapagáveis são os actos que te desenham: esses momentos que te forneces. Diz-me em que voz amplias? Qual é essa grossa vaidade de saberes-te proprietário de uma alma que te deseja? És um espelho que não reflecte o interior. Apagaste as memórias do que foste. E não és no futuro. Não há nada que acredite: que o sinta pelo olhar. Só eu te vi pelo coração.

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