domingo, 22 de abril de 2012

Sangue de entrega



Há isto como quem quer: quem te quer. Uma morte tua declarada minha. Vê-se o corpo inerte de consciência. Vive-se a nuvem na voz. Pertencem-se sonhos – são todos eles espelhados de vida. Cores em vista detalhada. Pormenores configurados de novidade. E um quotidiano que deixa de o ser. U cristal que se crava no coração. Reluz-se o sangue de entrega. Clarificam-se as acções futuras. Rasga-se o esboço de um passado. É distante a ligação já vivida. Como que nos olhos mentisse a mente – delírios de alguém inexistente. E era: eramos. Num pedaço: num organismo: o que fomos. Uma imagem desfigurada de credibilidade é encarada. Vemos o eu com essa impossibilidade passada. É o rio que lava os rasgos de engano. Apagam-se traços erróneos da personalidade. E aproximamo-nos hora após hora da verdade. Da igualdade: do coração para a alma.     

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