Não sei que queres de mim: deste
corpo que mal se ergue sem ti. Entranha-se a frieza: única forma de
conhecimento. Sobrevivem os racionais. Quem te coordena é o coração: que te
dirige ao mundo. És esse eu apaixonado pelo amor. Esse pintor que se pendura em
asas. Não voas; não alcanças: esticas a alma em tentativa. Sabes quem és. E
dói. Vive-se o sangue por te conheceres (quase) bem. Ignoras os pensamentos que
sabes existentes. Omites as palavras audíveis ao batimento. Nada que se
manifesta no interior importa. Aguentas o sorriso – o público aplaude. Mais um
segundo se cerna a falsidade. Tens uma capa que te distancia: te afasta de ti.
Um dia vais deixar de te ser – melhor para ti. Está o sorriso a dobrar-se. Nem
se suportam os olhos: sentir tanta mentira. Vamos acabar; terminar: quebrar-me.
Estou no espelho: apática – sem os lábios se moverem. Morreu o sorriso de ti
para a felicidade. Acabou a curva do desejo. Estás a ver-te – agora – como és.

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