Há esta parte que tenta. Que
procura não sentir. Mas como se pode retirar um pedaço intrínseco? Uma parte
tua? Queres ser esse projeto novo. Seguir. Tens um passado que não deixa. Uma
mente que obriga à lembrança. E vives as memórias uma e outra vez (quase) como
se no presente vivessem. E lá vem os traços das tuas palavras: a voz que me
embala no sonho. Nasce o sorriso dessa aura em que te vejo. E sei-te não
perfeito. Tenho o coração que aceita todos esses defeitos que tanto podem magoar.
Mas és tu: essa arquitetura esculturada de características que seu que conheço.
Desejo que sintas a minha saudade. Que a alivies com a tua. não demonstras
(talvez não a sintas). Ou é quem és (que sei que és) e apenas não. Encostaste a
ti – sem abraçar o que sabes que te acolheria. E estão os braços esticados
(eternamente) – (quase) sem sinal de cansaço. Em forma de luta está a espera
agarrada ao avanço. Mas nada muda e, no fundo, esperas o que dizes não esperar.
Proclamas em alma convincente avanço, mas os pés continuam a beijar o mesmo
lugar que antes. Vês o sorriso (aquele rosto que queres). Sentes as mãos na tua
(que não está). Arrepias o beijo que foi dado. Queres – antes que voltes a cair
em ti – tudo outra vez. Tão intensamente que dói o pulsar da vida. E percebes a
olhar o futuro que nada mudará. A luta é contigo própria. No sentir nada é
configurado. Segura a alma à crença e junta o coração à perceção. Projeta-te.
Vê a verdade. Faz a tua justiça da dor. Sonha: acorda. Vamos tentar caminhar?

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