Tenho saudades – não de mim, nem
do passado – tuas. Dos teus abraços. Do teu olhar a compreender-me. Do silêncio
que nos fala. É estranha esta angústia que sinto. Este pedaço que me falta: os
teus braços a envolver-me. Ao não te ver é como se não te pudesse proteger –
como se um corpo desse cariz precisasse das minhas mãos (mas era um aconchego
da alma). E sinto um vazio: aquela felicidade pura que me deste (que não me
tiraste). Era só ver-te e tudo voltava ao normal por alguns instantes: até o
tempo roubar a tua amizade de mim. Tirar a presença e fazê-la de alguém que não
eu. E imagino as tuas palavras sussurradas. As cócegas nos meus lábios. E um
abraço: os braços que nos encontram mais uma vez.

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