Nos lábios te fazem o desenho:
suor do desejo. Crês na fantasia que te abraça. Há o nó que se circula no
coração – será verdade? Vives: escondes as angústias – aquele momento é teu.
Conheces o paladar das palavras. Visionas aquele passado. Quere-lo em constante
presente. Esperas. Aguardas o que não sabes que vem. Uns dias sorri-te a
esperança. Noutros encaras a realidade. Em que acreditas? Em ti: nos teus olhos
do coração? Ou nas circunstâncias que se ditam? Nem o caminho que percorres se
manifesta (incógnito). Ficas retida: em ti. Estás na sombra das memórias.
Pinta-las de intensidade: toda a força que tiveram. E o que te cura? O que te
ouve? Estás entregue à insanidade da alma. Nada se poderá escrever. Vem o tempo
na lágrima que ressuscita. Estás de caneta para o céu. De olhos sonhadores no
sentimento. Fácil seria não sentir. Seria não ser o que se é. Fingir! Vamos ser
outro alguém capaz de encarar. Capaz de fazer inexistente tudo o resto. Ser a
morte que não alimenta a chama. Resguarda-se o eu. Par que um dia – quem sabe –
se proteger dele próprio.

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