sábado, 14 de julho de 2012

Sombra das memórias


Nos lábios te fazem o desenho: suor do desejo. Crês na fantasia que te abraça. Há o nó que se circula no coração – será verdade? Vives: escondes as angústias – aquele momento é teu. Conheces o paladar das palavras. Visionas aquele passado. Quere-lo em constante presente. Esperas. Aguardas o que não sabes que vem. Uns dias sorri-te a esperança. Noutros encaras a realidade. Em que acreditas? Em ti: nos teus olhos do coração? Ou nas circunstâncias que se ditam? Nem o caminho que percorres se manifesta (incógnito). Ficas retida: em ti. Estás na sombra das memórias. Pinta-las de intensidade: toda a força que tiveram. E o que te cura? O que te ouve? Estás entregue à insanidade da alma. Nada se poderá escrever. Vem o tempo na lágrima que ressuscita. Estás de caneta para o céu. De olhos sonhadores no sentimento. Fácil seria não sentir. Seria não ser o que se é. Fingir! Vamos ser outro alguém capaz de encarar. Capaz de fazer inexistente tudo o resto. Ser a morte que não alimenta a chama. Resguarda-se o eu. Par que um dia – quem sabe – se proteger dele próprio.

Sem comentários:

Enviar um comentário