Quando
conhecemos a saudade, ela vem para ficar. Não há como separá-la de quem somos.
Chega sem notarmos, e vai-se entranhando. Revela as partes que nos faltam. E sentimos
que somos um todo sem muitas partes.
A loucura
aparece quando tudo o que fica é a falta. Nos olhos tenho os nossos momentos
como um filme. Pode dizer-se que é o meu preferido, revivo-o sem parar. E em
cada lembrança fica uma dor ainda maior – pela saudade que é insaciável.
Mas se esse é o
custo por ter-te como uma pessoa essencial, então deixa que o sinta a todo o
minuto. Há laços inquebráveis. E não é que é esta saudade que me constrói? Por
ser derivada de ti; do que sou contigo – fazes parte de mim hoje e sempre; aqui
ao meu lado ou a quilómetros de distância.
Houve-se por aí
que a distância separa - não conheço isso em nós. Transcendemos a verdade?
Talvez. Que esta realidade seja a nossa. Deixa que nos achem inocentes – são tolos
aqueles que não acreditam. Mesmo que não estejamos juntos, sei-nos
constantemente próximos. Há ligações mais fortes que a ausência de palavras. Não
precisamos nada mais do que sabermos que nos somos. E o sermo-nos torna-o
infinito.
Vens e a
insanidade aparece por voltarmos a ser crianças.
Eternas crianças
com ambições de adultos. Sou-o contigo, todos os dias.
Não é isso que é
ser-se feliz?

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