quinta-feira, 16 de março de 2017

Um pedaço de mim e um todo de saudade


Quando conhecemos a saudade, ela vem para ficar. Não há como separá-la de quem somos. Chega sem notarmos, e vai-se entranhando. Revela as partes que nos faltam. E sentimos que somos um todo sem muitas partes.

A loucura aparece quando tudo o que fica é a falta. Nos olhos tenho os nossos momentos como um filme. Pode dizer-se que é o meu preferido, revivo-o sem parar. E em cada lembrança fica uma dor ainda maior – pela saudade que é insaciável.

Mas se esse é o custo por ter-te como uma pessoa essencial, então deixa que o sinta a todo o minuto. Há laços inquebráveis. E não é que é esta saudade que me constrói? Por ser derivada de ti; do que sou contigo – fazes parte de mim hoje e sempre; aqui ao meu lado ou a quilómetros de distância.

Houve-se por aí que a distância separa - não conheço isso em nós. Transcendemos a verdade? Talvez. Que esta realidade seja a nossa. Deixa que nos achem inocentes – são tolos aqueles que não acreditam. Mesmo que não estejamos juntos, sei-nos constantemente próximos. Há ligações mais fortes que a ausência de palavras. Não precisamos nada mais do que sabermos que nos somos. E o sermo-nos torna-o infinito.

Vens e a insanidade aparece por voltarmos a ser crianças.

Eternas crianças com ambições de adultos. Sou-o contigo, todos os dias.


Não é isso que é ser-se feliz? 

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