A memória volta
sempre a ti.
Regresso a um
passado que tinha tudo para ser o nosso futuro. Recordações que fazem parecer
um amor tão fiel: inteiro. E como, agora, é possível ver que estávamos em
fragmentos.
Eu por inteiro
(partida aos poucos) para nos construir. Tu sem certezas definidas (a tua
verdade oculta), a levares-me para onde não querias ir.
A tua presença
prometia-me o mundo. Um sabor a conto de fadas – que se desfez; nunca mais
pareceu tão preenchido. E a tua ausência ditava tudo o que nunca seríamos. Eu
decidi não ver: escolhi a tua alma que idealizava – que as ações não se
medem por frases construídas, mas pela sinceridade dos atos.
Como é que me
preenchia o nada que me oferecias?
E não é que esse
nada era tudo aquilo de que eu precisava?
Foste a cura do
meu futuro. Em cada sofrimento pude dar valor ao amor.
Tu ensinaste-me
a amar.
Obrigada.
Porque me ensinaste
o que não é ser-se amada.

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