É o coração que
orienta as tuas ações. O sangue que impulsiona os movimentos corporais. E está
a mente como moderadora dessas consequências. Procura-se o equilíbrio, mas, na
verdade, encontramo-nos sempre mais no desequilíbrio. É aí que nos percebemos limitadores
dos nossos atos; dos nossos sonhos. A vida resume-se aos momentos de decisão.
Aos caminhos que escolhes percorrer consoante as crenças. Os princípios que
regem a direção do teu olhar. E há momentos que duvidas de tudo aquilo que já
fizeste. De tudo aquilo em que acreditas. De tudo o que és. É aterrorizante
essa sensação de abandono de ti mesmo: da tua vida. Esse ser livre de tudo
aquilo a que se prendeu. Dos abraços que retiraram de ti um pouco da alma.
Aquele amor de pertença. A sensação permanente de preenchimento.
-Sabes que
estarei aqui para sempre, Mara.
Aquela promessa!
Falhas não para com ela, mas para contigo. Já não sabes o que és. Como podes
garantir essas palavras que foram ditas por um outro? Um outro eu que, agora,
desconheces?
Olhas o espelho
e nada reflete. Um rosto expressivo de alguém que nunca viste. Uma alma perdida
num corpo sem orientação. Sentes os passos de corrida (interiores) mas
manténs-te estático. Observas tudo o resto e tudo move. Nada espera por ti.
Nada esperará se não decidires avançar. Aí tentas! Nada se rende. Nada se
entrega. Percebes que és tu que fazes o que és. E não o mundo - porque esse nem
se lembra de ti quando tu te esqueceste.
Toca-me aquela
mão sobre o fim das minhas costas.
-Eu estarei
sempre aqui até mesmo quando tu já não quiseres que eu esteja. Mesmo que tu não
saibas mais quem somos. Eu sei que fomos. E isso já é parte da nossa
existência.
Agarrei-a com
força e tudo voltou ao seu lugar. Não era que eu só soubesse ser com ela. Mas
era ela que me devolvia à realidade. Que expelia os sentimentos de loucura.
As sombras de
quem somos quase que nos sugam. Ela é a luz que não me permite ir. Que não me
abandona para o ser mais obscuro de mim.

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