E se eu te
disser que não sei como é que tudo começou? Que já não sei de que sou feita nem
que traços me caracterizam? Ainda tentarias perceber o que o vento levou de mim
e o que restou? Tentarias conhecer o meu verdadeiro eu debaixo de tantas
camadas de histórias? Cicatrizes que mostram o que a existência me fez. A
realidade que tingiu o sonho de muitas outras cores. Uma mistura do que é e não
é. Algo que já não dá para decifrar e acreditar pela confusão em que se tornou.
Uma vida que se vive sem a adrenalina do desconhecido que está por vi. Apenas o
caminhar, só, pelas ruas que já conheces. Por essas lembranças que não permitem
um futuro de possibilidades. Que corta tudo o que poderia ser rejuvenescedor. Que
te faz ser a frieza da neve. Não deixa trespassar o calor de um abraço ou de um
sorriso sincero. Apenas uma existência perdida no interior de tantas outras que
te abandonaram. E vês, sempre, os flocos de neve (antigamente símbolo de magia)
a apoderarem-se do coração. Fica tudo isso. A permissão de ser sem sentir.

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