Será que estou ciente de tudo o
que se passou?
Tenho em mente as imagens e no
coração as emoções. Penso e recordo todo o passado. Os gritos interiores de
desespero. A apatia de já não conseguir engolir mais o silêncio. O choro calado
e cansado de existir. E a tristeza que me congelou. Mas o poder que tem um
sorriso: uma palavra: aquele determinado tom de voz.
O teu tom de voz.
Tudo estremeceu de novo. E voltei
- sem hesitar – a mim. A ser-me na forma mais aventureira. A deixar-me ser no
inesperado. Sem pensar demais. E é isso que me fazes: ser sem pensar. Abanas-me
todas as reflexões e permites-me ser. E permanece, em mim, a alegria que
impulsionas.
Estou transformada. Uma nova
forma de estar: sentir sem medos.
Mas tenho medo. Medo de onde até
isto vai.
Para onde estou a ir?

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